Ataque de Khadafi impede resgate de pessoas em Misrata

Navio da Organização Internacional para Imigração ficou impedido de aportar após bombardeio de porto na cidade rebelde.

BBC Brasil, BBC

26 de abril de 2011 | 17h33

Um navio enviado pela Organização Internacional para Imigração foi nesta terça-feira impedido de aportar na cidade de Misrata, sob controle dos rebeldes, depois de um bombardeio das forças do general Muamar Khadafi.

Os ataques, que teriam matado três pessoas, impediram a partida de centenas de pessoas, residentes e trabalhadores imigrantes, que tentam escapar da violência na cidade, na costa oeste da Líbia.

A entrega de ajuda humanitária a Misrata, sob cerco há várias semanas, também foi adiada.

O ataque ocorreu apesar dos esforços da Otan para aplicar uma resolução da ONU que visa proteger os civis dos ataques das tropas leais a Khadafi.

Na segunda-feira, um bombardeio aéreo da Otan, na capital, Trípoli, causou grandes danos a edifícios do complexo em que fica a residência de Khadafi.

Os ataques em Trípoli geraram críticas duras do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que afirmou que a coalizão ocidental que está participando da operação na Líbia não tem direito de matar Khadafi.

Cerco

A cidade de Misrata está sob o controle dos rebeldes, mas permanece cercada pelas forças do governo líbio. Neste período, partes da cidade tiveram interrompido o fornecimento de eletricidade e água.

Os moradores da cidade não conseguem sair de casa para comprar comida e medicamentos, pois os bombardeios, tiroteios e confrontos entre rebeldes e tropas do governo continuam.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de mil pessoas foram mortas nos confrontos entre rebeldes e forças do governo e muitas outras ficaram feridas. Navios estão levando os feridos para os hospitais da cidade de Benghazi, no leste, considerada informalmente a capital dos rebeldes.

Segundo o correspondente da BBC em Benghazi, Peter Biles, o mar tem sido a única saída de Misrata, por permite que os moradores deixem a região e que a ajuda possa chegar.

Durante o final de semana, o regime de Khadafi afirmou que tinha suspendido as operações em Misrata e que suas forças tinham recuado em algumas áreas.

O governo nega que esteja bombardeando áreas civis.

A revolta popular contra Khadafi começou em fevereiro, inspirada pela onda de protestos pró-democracia em vários países árabes e que antecederam a queda dos presidentes da Tunísia e do Egito.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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