Musa Sadulayev/AP
Musa Sadulayev/AP

Ataque de militantes islâmicos na Chechênia deixa 20 mortos

O confronto foi o mais sangrento em meses na província localizada no sul da Rússia e enfatizou a frágil situação de segurança na região

O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2014 | 18h10

GROZNY/MOSCOU - Atiradores atacaram um posto da polícia e invadiram um edifício nesta quinta-feira, 4, em Grozny, capital da província da Chechênia, no sul da Rússia, matando 10 policiais em confrontos nos quais 10 dos agressores também foram mortos.

O confronto mais sangrento em meses na Chechênia irrompeu poucas horas antes de o presidente russo, Vladimir Putin, declarar em um discurso em Moscou que irá defender a Rússia contra o que chamou de tentativas de desmembrar o país. O ataque enfatizou a frágil situação de segurança na Chechênia mais de uma década depois de Putin enviar soldados para conter um levante separatista islâmico naquela região.

Dez policiais e dez supostos militantes foram mortos, afirmou o Comitê Nacional Antiterrorismo da Rússia (NAK), acrescentando que outros 28 agentes da lei ficaram feridos. Entretanto, Putin elogiou o líder da Chechênia, Ramzan Kadyrov, que tem o apoio do Kremlin, por realizar uma operação de segurança "profissional".

No começo da quinta-feira, ele afirmou, durante seu discurso anual do Estado da União no Kremlin, que a Rússia está cercada de inimigos que procuram desmembrá-la e destruir sua economia. “Não o permitimos”, disse.

O NAK declarou que “terroristas” atacaram um posto da polícia em Grozny por volta de 1h da manhã no horário local e depois invadiram escritórios que abrigam a mídia local e uma escola.

Filmagens obtidas pela agência Reuters mostraram confrontos de noite e de manhã envolvendo combates persistentes com armas pequenas e o que pareceu ser um míssil portátil atingindo o prédio da imprensa.

Os funcionários do prédio disseram que um civil morreu sufocado enquanto o fogo consumia o local, embora as autoridades não tenham confirmado o relato.

Um vídeo publicado no YouTube deu a entender que os agressores entraram em Grozny para um ato de “retaliação” pelo que chamou de opressão de mulheres muçulmanas.

O NAK declarou no início da noite desta quinta-feira que sua operação “antiterrorista” terminou e que todos os supostos militantes foram mortos.

Uma testemunha da Reuters em Grozny contou que forças de segurança mobilizaram veículos militares nas ruas, montaram vários postos de verificação e cercaram a área afetada.

“Não esperávamos que isso acontecesse, os demônios mostraram o que lhes resta de força”, afirmou o líder checheno Kadyrov a repórteres em Moscou depois de assistir ao discurso de Putin.

Kadyrov controla a Chechênia com pulso firme desde as guerras separatistas de 1994-96 e 1999-2000, mas uma insurgência islâmica se espalhou pela região predominantemente cristã do norte do Cáucaso. Em outubro, 5 policiais foram mortos e 12 ficaram feridos em Grozny no ataque de um homem-bomba. / REUTERS 

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