Christof Stache|AFP
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Ataque de Munique foi planejado por um ano

Autoridades alemãs pediram revisão das já restritas leis de armamento no país

O Estado de S. Paulo

24 Julho 2016 | 20h22

BERLIM - O autor do ataque a tiros na cidade de Munique na sexta-feira, que deixou 9 mortos e 35 feridos, preparou seu atentado durante um ano, comprou sua arma pela internet, mas não escolheu suas vítimas de maneira específica. As novas informações foram divulgadas neste domingo (24) pela polícia da Baviera, enquanto autoridades em Berlim pediram uma revisão das restritas leis de armamento na Alemanha. 

A polícia explicou hoje que o atirador, David Ali Sonboly, de 18 anos, com cidadania alemã e iraniana, era fascinado por matanças e acabou passando da teoria à ação. Os policiais disseram acreditar que o atirador se viu influenciado, em particular, pela matança de Winnenden (sudoeste), em março de 2009, quando um jovem de 17 anos abriu fogo contra seu ex-colega, matando 15 pessoas para depois se suicidar. Além do fascínio que sentia por Anders Behring Breivik, autor do massacre de 77 pessoas na Noruega. O ataque a tiros em um shopping de Munique ocorreu exatamente no dia em que essa chacina completava cinco anos. 

Para a polícia, o caso Winnenden foi determinante em sua decisão de virar assassino em massa. “Ele se interessou por esse ato, visitou a cidade e tirou fotos há um ano. Em seguida, planejou sua própria matança”, explicou o chefe da polícia, Robert Heimberger. As imagens foram encontradas em uma câmera de Sonboly.

Um jovem de 16 anos e de nacionalidade afegã, amigo do autor do ataque, foi detido neste domingo sob suspeita de conhecer os planos do atirador. Em comunicado, a polícia relatou que o adolescente procurou uma delegacia ainda na sexta-feira, depois dos crimes, para revelar a relação de amizade com Sonboly. 

Fobia social. Filho de iranianos chegados à Alemanha como solicitantes de asilo no fim dos anos 90, Sonboly sofria transtornos psiquiátricos. No ano passado, passou dois meses em uma clínica em razão de “fobia social” e crise de angústia. Depois, seguiu um tratamento, como demonstram os medicamentos encontrados em seu quarto. Também foi constatado que ele sofria bullying por parte de outros jovens.

No total, foram encontradas 58 balas no local da matança. O assassino usou uma pistola Glock 17 de 9 milímetros comprada na Darknet, a internet obscura, na qual transcorrem transações ilegais, e levava mais 300 cartuchos. 

Essa tragédia fez aflorar um debate sobre a necessidade de um endurecimento da legislação em termos de armas na Alemanha. “Devemos examinar com muito cuidado sempre, e quando for necessário legislar”, declarou o ministro alemão Thomas De Maizière ao jornal Bild. Por sua vez, o vice-chanceler, Sigmar Gabriel, pediu que se faça todo o possível para “restringir o acesso às armas”. Ele afirmou que as autoridades alemãs estavam investigando como Sonboly havia obtido acesso ilegal à arma apesar dos aparentes sinais de problemas psicológicos. / REUTERS e AFP

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