AP Photo/Jim Cole
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Ataque digital desestabiliza web nos EUA

Especialista em segurança eleitoral afirma que ação do tipo pode afetar votação à distância

O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2016 | 22h55

NOVA YORK - Ciberataques visando a empresa fornecedora de infraestrutura para internet Dyn interromperam nesta sexta-feira, 21, os serviços de grandes empresas de tecnologia como Twitter e Spotify, afetando principalmente usuários da Costa Leste dos Estados Unidos.  A empresa e autoridades ainda investigam a autoria do ataques.

Fontes do governo americano disseram à agência Reuters que o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos e o FBI estão em busca dos possíveis responsáveis.  Além do Twitter e do Spotify, o fórum Reddit, o Airbnb e o site de notícias The Verge estão entre as empresas que sofreram interrupções hoje.

A Dyn afirmou que conseguiu recuperar serviços interrompidos por um dos ataques, que paralisou operações por cerca de duas horas. A empresa, porém, descobriu um segundo ataque algumas horas depois, causando mais interrupções.

A divisão de serviços web da Amazon.com, uma das maiores empresas do mundo de computação em nuvem, também informou uma falha que durou diversas horas, mas o problema foi resolvido à tarde.

A Dyn é uma empresa sediada em Manchester, New Hampshire, e oferece serviços para gerenciamento de servidores de nomes de domínio (DNS, na sigla em inglês), que funcionam como uma espécie de mesa de controle que conecta o tráfego de dados da internet.

Ataques contra fornecedores de DNS podem criar problemas no acesso à internet uma vez que estas empresas são responsáveis pelo encaminhamento de grandes volumes de dados da rede. 

Saturação. Os ataques de hoje contra a Dyn foram do tipo DDoS – sigla para Distributed Denial of Service. A tática é a de enviar um volume de dados maior do que os servidores são capazes de suportar, derrubando ou desestabilizando os serviços dos servidores DNS. 

A ação de hoje, no entanto, teve uma magnitude incomum, segundo afirmou um estrategista da Dyn, Kyle York, repetindo a informação de que a autoria ainda era desconhecida. “O número, a duração e a complexidade desse tipo de ataque tem crescido”, afirmou York.

Para conseguir o volume de tráfego necessário a uma desestabilização dos servidores, os hackers utilizam dispositivos conectados de pessoas comuns, como computadores, celulares e câmeras, que operam como “laranjas digitais” no envio de pacotes de dados do ataque a alvos específicos.

Ao New York Times, a especialista em segurança eleitoral Barbara Simons afirmou temer que um ataque semelhante afete o processo de votação online da eleição presidencial de novembro – milhares de civis e militares são autorizados a votar online por viverem fora dos EUA. “É um argumento forte sobre por que não deveríamos permitir aos eleitores que enviassem seus votos pela internet”, afirmou. / REUTERS e NYT    

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