ANHA via AP
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Ataque do EI na Síria mata americanos após Trump anunciar vitória sobre terroristas 

Ataque põe em xeque vitória sobre o grupo terrorista reivindicada pelo presidente americano em dezembro ao anunciar a saída das tropas do país

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2019 | 15h22
Atualizado 16 de janeiro de 2019 | 20h36

WASHINGTON - Um ataque suicida no norte da Síria cuja autoria foi reivindicada pelo Estado Islâmico matou 15 pessoas nesta quarta-feira, 16, entre elas 2 soldados e 2 civis americanos, segundo o Pentágono. A ação pôs em xeque a vitória sobre o grupo terrorista reivindicada pelo presidente Donald Trump em dezembro ao anunciar a saída das tropas do país

“Dois militares americanos, um civil do Departamento da Defesa e um (funcionário) terceirizado em apoio ao departamento foram mortos, e três militares ficaram feridos enquanto realizavam um trabalho em Manbij”, informou, em comunicado, o Centro de Comando Militar dos EUA. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou que havia civis locais entre os mortos. 

Após o ataque, o vice-presidente americano, Mike Pence, prometeu que os EUA impedirão o ressurgimento do EI, mas manterão os planos de retirar suas tropas. “Vamos ficar na região e continuar lutando para garantir que o EI não surja novamente”, declarou Pence.

O ataque foi conduzido contra um restaurante na cidade de Manbij, onde os soldados americanos costumavam parar para comer durante suas patrulhas pela área, segundo moradores. Após a explosão, um número de americanos foi retirado de helicóptero do local, disseram. Não estava claro quantos militares americanos estavam no local no momento do ataque. 

"O presidente está recebendo as informações e continuará monitorando a situação na Síria", disse a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders. 

Os Estados Unidos têm cerca de 2 mil soldados na Síria, enviados para trabalhar com milícias locais para combater o Estado Islâmico. No mês passado, ao declarar que a batalha contra os jihadistas tinha acabado, Trump anunciou a retirada desses soldados em 30 dias. 

Após passado o prazo para o início da retirada, o governo americano anunciou na semana passada que havia começado a retirar alguns equipamentos militares. Mas o plano com os detalhes da saída ainda não foi explicado. 

Outros membros da administração Trump têm dito publicamente que as forças americanas deveriam continuar na Síria como força e garantia nas negociações com o presidente Bashar Assad para o fim da guerra no país, para impedir o Irã de expandir sua influência no território sírio, para proteger os curdos - aliados americanos -, além de coibir o ressurgimento dos jihadistas.

Antes do ataque desta quarta-feira, apenas dois soldados americanos morreram na Síria desde que o primeiro contingente das tropas de Operações Especiais entrou no país em 2015. 

Manbij estava sob o controle das Forças da Síria Democrática (FSD), uma aliança armada liderada por curdos e apoiada pela coalizão, embora os combatentes destas milícias tenham começado a se retirar da cidade depois de chegar a um acordo com o Exército sírio.

O porta-voz do Conselho Militar de Manbij (vinculado às FSD), Shervan Derwish, disse na sua conta do Twitter que houve "uma explosão na movimentada rua do mercado de Manbij", cidade onde a polícia russa também faz patrulhas, em virtude do acordo com Damasco. / NYT, REUTERS e EFE 

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