REUTERS/Ahmad Masood
REUTERS/Ahmad Masood

Ataque do Taleban ao Parlamento afegão mata dois civis

Seis militantes foram mortos pelas forças de segurança em trocas de tiros depois de extremista detonar carro-bomba na frente do Parlamento; ao menos 31 pessoas foram feridas na ação insurgente

O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 09h25

CABUL - Um ataque reivindicado pelo Taleban deixou dois mortos, incluindo uma criança, nesta segunda-feira, 22, no Parlamento afegão, em Cabul, uma ação que terminou com a morte dos sete extremistas e confirmou a intensificação da violência insurgente no país.

Dois civis, uma mulher e uma criança, morreram no ataque, de acordo com a polícia e a ONU. O ministério da Saúde informou que 31 pessoas, incluindo cinco mulheres e uma criança, ficaram feridas.

"O ataque acabou. Eram sete criminosos: um se matou ao se explodir em um carro perto do edifício do Parlamento e seis foram mortos pelas forças de segurança depois que entraram em prédio próximo atirando", disse à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Najib Danish.

O ataque, que durou duas horas, é um dos mais ousados dentro da tradicional ofensiva de primavera do taleban e levanta questões sobre a capacidade das forças de segurança afegãs treinadas pela Otan e sobre quanto os militantes podem avançar no país.

Todos os deputados presentes na sede do Parlamento no momento do ataque escaparam ilesos, informou o chefe de polícia de Cabul, Abdul Rahman Rahimi. "Todos foram retirados com total segurança", disse.

Na sessão da câmara baixa do Parlamento desta segunda-feira estava prevista audiência com a participação de Masoom Stanekzai, indicado pelo presidente Ashraf Ghani para assumir o Ministério da Defesa, designação que deve ser ratificada pelos legisladores.

"A sessão havia começado e estávamos esperando o candidato ao cargo de ministro da Defesa", disse à AFP o deputado Mohamed Reza Khoshak. "De repente, escutamos uma forte explosão. Em poucos segundos a sala ficou tomada pela fumaça e os deputados começaram a fugir."

A ação. Um militante ao volante de um carro-bomba iniciou o ataque ao avançar com o veículo na entrada do Parlamento, que fica na zona oeste de Cabul. Ainda não está claro como o motorista passou por diversos pontos de checagem de segurança até a entrada do Parlamento.

As vítimas da ação estavam perto do edifício, segundo o ministério do Interior. Logo após a explosão, um grupo de seis insurgentes entrou em um edifício anexo ao Parlamento, o que provocou um tiroteio com as forças de segurança, explicou Rahimi.

Os seis atiradores do Taleban permaneceram entrincheirados no edifício e foram mortos pelas forças de segurança, afirmou Danish.

O ataque foi reivindicado pelo grupo em uma conta na rede social Twitter. "Vários mujahedin entraram no Parlamento, há combates", escreveu o porta-voz insurgente Zabihullah Mujahid.

Em geral, o Taleban ataca a polícia e o exército, mas também locais frequentados por estrangeiros. Em 2012, um comando insurgente tentou ocupar o Parlamento, enquanto outros atacavam sedes diplomáticas na capital afegã.

Esta é a primeira ofensiva de primavera sem a presença maciça de forças internacionais, que deixaram o Afeganistão após 13 anos de conflito, que começou com a invasão no país por tropas americanas em 2001, como resposta ao atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas e o Pentágono.

A intervenção americana derrubou o regime do Taleban, que havia tomado o poder em 1996. Atualmente, apenas 12.500 soldados da Otan permanecem no Afeganistão, em uma missão de apoio às forças afegãs em sua luta contra os insurgentes. / AFP, EFE e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
AfeganistãoTalebanCabul

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.