(Photo by STR / AFP)
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Ataque do Taleban mata mais de 100 agentes de segurança afegãos

Quatro terroristas foram mortos, um na explosão do carro-bomba e outros durante confronto com forças do Afeganistão

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 21h19

CABUL - Vários membros das forças de segurança do Afeganistão morreram na segunda-feira, 21, em um ataque do Taleban contra a base da principal agência de segurança afegã, o Diretório Nacional de Segurança (NDS, em inglês), recentemente construída no centro do país. Ajtar Mohamed Taheri, chefe do Conselho Provincial de Maydan-Wardak, onde ocorreu o ataque, disse que 12 pessoas tinham morrido, a maioria soldados afegãos.

No entanto, horas depois, Sardar Bakhtiar, membro do Conselho Provincial, disse ter recebido a informação de que o número de mortos havia passado de 100. Segundo Bakhtiar, “além dos corpos que foram encontrados no início da manhã, mais de 60 cadáveres foram recuperados apenas entre a manhã e a tarde de debaixo das ruínas do edifício derrubado” pela detonação de um carro-bomba. “O número de mortos pode aumentar à medida que sejam encontrados mais corpos”, acrescentou.

O chefe do Departamento de Saúde Pública de Maydan-Wardak, Salim Asarkhil, havia afirmado que o hospital provincial tinha recebido “40 vítimas do ataque, das quais 12 estavam mortas antes de chegar, e as outras 28, feridas”.

Asarkhil detalhou que, entre os que foram transferidos para o hospital, não havia vítimas civis e “todas pertenciam às forças de segurança”.

O porta-voz do governador de Maydan-Wardak, Muhibullah Sharifzai, informou que quatro terroristas envolvidos no atentado morreram, um deles e m razão da explosão do carro-bomba e os outros abatidos pelas forças de segurança.

Por meio de seu porta-voz, Zabihullah Mujahid, o Taleban reivindicou a autoria do ataque – que durou mais de três horas – e garantiu que “ao menos 90 membros das forças de segurança morreram e até 100 teriam ficado feridos”.

Tropas americanas

O ataque aconteceu em meio ao processo de retirada de tropas americanas Oriente Médio e da Ásia Central. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que vai retirar 7 mil (dos 14 mil) militares presentes no Afeganistão. Atualmente, os soldados dos Estados Unidos representam o maior contingente da missão da Otan de apoio às forças afegãs e em operações de combate ao terrorismo.

O anúncio de retirada das tropas aconteceu depois de meses de esforços para reativar as negociações de paz com os talibãs. Na última semana, os Emirados Árabes Unidos afirmaram que as conversas de reconciliação entre Estados Unidos e representantes do Taleban afegãos, em Abu Dabi, haviam chegado a resultados positivos e concretos. 

Nas circunstâncias corretas, a diminuição do número de soldados americanos no Afeganistão poderia ser um sinal positivo para as negociações de paz, uma forma de mostrar ao Taleban que os Estados Unidos estão comprometidos em fazer concessões pelo acordo. Mas do jeito que foi anunciada, a retirada foi interpretada pelo Afeganistão como uma traição e pode ter consequências negativas.

Quanto à retirada de dois mil soldados americanos da Síria, o Pentágono iniciou formalmente o processo no domingo, 23, pois Trump considera que a guerra contra o Estado Islâmico foi vencida. No Twitter, o americano disse que o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, assegurou que erradicaria qualquer combatente que houvesse sobrado do Estado Islâmico na Síria. / AFP, EFE, AP, NYT e W.P.

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