Ataque dos EUA no Paquistão mata 12, diz inteligência

Mísseis teriam sido disparados contra dois edifícios próximos à fronteira afegã; número pode chegar a 21

Agência Estado e Associated Press,

03 de outubro de 2008 | 16h15

Mísseis que teriam sido disparados nesta sexta-feira, 3, pelos Estados Unidos atingiram dois edifícios em duas vilas paquistanesas próximas da fronteira com o Afeganistão, matando 12 pessoas. A maioria das vítimas era de militantes, afirmaram funcionários da inteligência do Paquistão. Eles disseram acreditar que os mísseis partiram de aeronaves norte-americanas que estavam no espaço aéreo afegão. Um canal de TV informou que o número de mortos seria de até 21. Foram atingidas duas vilas no Waziristão do Norte, pouco antes de anoitecer. O principal porta-voz do Exército do Paquistão, Athar Abbas, disse que o incidente estava sob investigação, mas ele ainda não podia confirmar nada sobre o caso. Um ataque na vila de Mohamandkhel matou pelo menos 12 pessoas, a maioria militantes, afirmaram os funcionários do setor de inteligência. Não houve vítimas fatais no outro ataque, realizado na vila de Khata Kaly. Os funcionários falaram sob condição de anonimato.   O major-general Athar Abbas, porta-voz das Forças Armadas do Paquistão, afirmou não ter informações sobre o incidente. Membros do Taleban presentes na área afirmaram à Reuters, mais tarde, que oito pessoas tinham sido mortas e sete, feridas. No entanto, segundo a agência de notícias Dawn News, 21 pessoas morreram, incluindo 16 estrangeiros. Os Estados Unidos lançaram vários ataques contra o que acreditavam ser alvos da Al-Qaeda e do Taleban no norte do Paquistão nas últimas semanas. Washington reclama que Islamabad não consegue acabar com os militantes, estremecendo as relações dos dois aliados na guerra contra o terror.   Crescimento da violência   Os militantes no lado paquistanês da fronteira são acusados pelos crescentes ataques contra forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. A violência no território afegão atingiu o nível mais alto desde a invasão liderada pelos EUA em 2001, que derrubou o regime fundamentalista do Taleban. Os extremistas também são acusados por ataques dentro do Paquistão, como o ocorrido no dia 20 de setembro no hotel Marriott, em Islamabad. Mais de 50 pessoas morreram no atentado. Na quinta, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que as crianças filhas de seus funcionários no Paquistão devem deixar Islamabad. Atitude semelhante foi tomada em outras cidades violentas, como Cabul, capital afegã, e Mogadiscio, capital da Somália. A ONU argumentou que a medida é de caráter temporário, e não afetará seu trabalho no país. 

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