Ataque em Bagdá foi o pior desde a prisão de Saddam

Um carro-bomba explodiu hoje perto da entrada do quartel-general das forças de coalizão lideradas pelos EUA em Bagdá, causando a morte de pelo menos 23 pessoas - na maioria, civis iraquianos - e ferindo mais de 60, incluindo 6 americanos, segundo o Conselho de Governo do Iraque. Fontes da polícia iraquiana estimaram em 35 o número de mortos no ataque. Segundo testemunhas, pelo menos dois dos mortos eram civis americanos contratados pelo Exército dos EUA. "Há indicações de que há alguns cidadãos americanos entre os mortos", disse, numa entrevista coletiva, um porta-voz militar dos EUA, general Mark Kimmitt.Este foi o ataque mais mortífero no país desde a prisão de Saddam Hussein, em 13 de dezembro. A explosão ocorreu às 8 horas (3 horas de Brasília) "literalmente no último ponto em que um veículo poderia chegar sem ser parado", segundo o subcomandante da 1ª Divisão Blindada, general Mark Hertling. "As barreiras (instaladas ao redor do quartel-general) absorveram a maior parte do impacto", explicou.O carro-bomba, uma picape Toyota Land Cruiser, explodiu a poucos metros de um arco construído por Saddam há alguns anos imitando outra que protegeu a antiga Bagdá da invasão persa. O arco demarca a entrada da área do complexo de palácios usados por Saddam, hoje convertido em QG americano, ganhou das tropas dos EUA o apelido de "portão do assassino".No local, funciona o escritório do administrador americano no Iraque, Paul Bremer, que hoje estava em Nova York. "Esse ataque é outra clara indicação de que os terroristas tentam minar a liberdade, a democracia e o progresso no Iraque", declarou.Segundo as primeiras investigações, o carro levava cerca de 500 quilos de explosivos, cuja detonação deixou em chamas dezenas de veículos que estavam nas proximidades. Muitos dos ocupantes desses veículos morreram presos no interior dos carros."Foi uma explosão muito forte", disse Mohamed Jabbar, funcionário do Ministério de Planejamento, que funciona perto do complexo. "Os carros foram lançado para o ar e muitas pessoas foram jogadas umas contra as outras", prosseguiu Jabbar, que aguardava na fila para atravessar o posto de controle no acesso à área. Bombeiros foram mobilizados para apagar as chamas de três incêndios que se seguiram ao atentado.O Conselho de Governo Iraquiano atribuiu o ataque a grupos leais a Saddam Hussein. "Essa ação brutal é uma nova desonra para os partidários do antigo regime e seus aliados terroristas, sejam iraquianos ou estrangeiros", disse em entrevista o porta-voz do conselho, Hamid al-Kafai."Isso mostra o quanto o regime de Saddam Hussein era terrorista, da mesma forma que a rede Al-Qaeda (liderada pelo saudita Osama bin Laden). São todos aliados", acrescentou.Outras explosõesEm Tikrit, reduto dos partidários de Saddam e região de nascimento do ex-ditador, uma bomba levada num automóvel explodiu perto de um posto de controle administrado por soldados americanos. Os dois ocupantes do veículo morreram, mas a explosão não causou ferimentos a nenhum dos soldados.De acordo com o comandante do 4ª Divisão de Infantaria, tenente-coronel Steve Russell, a idéia dos condutores do veículo não era a de desfechar um ataque suicida. "Na verdade, tratou-se de uma frustrada tentativa de ataque às forças da coalizão", disseRussel, acrescentando que os terroristas detonaram a bomba - fabricada a partir de projéteis de artilharia e explosivo plástico - no momento em que foram parados pelos soldados. Um dos atacantes mortos, segundo Russell, era sobrinho de um dos irmãos de Saddam.Em Basra, dois soldados britânicos ficaram feridos na explosão de um pacote-bomba colocado ao lado de uma estrada.Os ataques ocorrem um dia antes de Bremer reunir-se com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a fim de discutir possíveis soluções para o impasse político criado por um plano americano para entregar até 30 de junho o poder a um governo provisório iraquiano.A administração do presidente George W. Bush, que rechaçava um envolvimento maior da ONU no Iraque, tem assinalado que está agora ansiosa para as Nações Unidas assumirem funções-chave no país.

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