Ryan M. Kelly/The Daily Progress via AP
Ryan M. Kelly/The Daily Progress via AP

Ataque em Charlottesville foi terrorismo interno, diz secretário de Justiça dos EUA

Em entrevista ao programa 'Good Morning America', da emissora ABC, Jeff Sessions afirmou que a pasta busca todos os argumentos para apresentar acusações James Alex Fields Jr., motorista que atropelou manifestantes contrários a uma marcha de extrema direita

O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2017 | 12h02

WASHINGTON - O ataque com automóvel a manifestantes contrários a uma marcha de extrema direita nos Estados Unidos, que deixou uma pessoa morta, pode ser considerado terrorismo interno, afirmou nesta segunda-feira, 14, o secretário de Justiça dos EUA, Jeff Sessions.

Uma mulher morreu e 19 pessoas ficaram feridas em Charlottesville, na Virgínia, no sábado, quando um carro avançou em direção a uma multidão contrária a uma marcha de supremacistas brancos e neonazistas, convocada para protestar contra a retirada de uma estátua do general Robert Lee, o derrotado líder dos confederados na Guerra Civil americana.

O ataque do veículo "entra na definição de terrorismo interno em nosso estatuto", afirmou Sessions no programa de televisão "Good Morning America", da emissora ABC, ressaltando que o Departamento de Justiça busca todos os argumentos para apresentar acusações. Nesta segunda, um juiz de Charlottesville se negou a definir uma fiança para o motorista, identificado como James Alex Fields Jr.

"Podem ter a certeza de que vamos avançar na investigação até as acusações mais graves que podem ser apresentadas (contra o acusado) porque isto é inequivocamente um ataque inaceitável e maligno", declarou.

O FBI e procuradores federais abriram uma investigação de direitos civis sobre as circunstâncias que cercaram o incidente, que aconteceu pouco depois da polícia ter dispersado uma manifestação de supremacistas brancos e neonazistas, incluindo membros da Ku Klux Klan (KKK), que resultou em violentos confrontos. 

Fields - um homem de 20 anos morador de Ohio -, foi detido e pode enfrentar acusações de assassinato em segundo grau. Segundo a imprensa americana, ele tem um passado de ligações neonazistas.

Os distúrbios no Estado da Virgínia deixaram a Casa Branca no centro da polêmica, depois que o presidente Donald Trump condenou a violência de "ambas as partes", o que rendeu acusações de indulgência com a extrema direita por parte de todos os setores políticos.

Kenneth Frazier, CEO da gigante farmacêutica Merck, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia como conselheiro econômico de Trump em protesto pelas declarações do presidente sobre o que aconteceu em Charlottesville. 

"Como CEO da Merck e como uma questão de consciência pessoal, sinto a responsabilidade de tomar posição contra a intolerância e o extremismo", escreveu no Twitter, antes de afirmar que os líderes americanos devem "rejeitar claramente as expressões de ódio, intolerância e supremacia".

Trump não demorou a responder. "Vai ter mais tempo para dedicar-se a reduzir o preço totalmente abusivo dos medicamentos", tuitou. / AFP

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