Ataque em Damasco mata 14 e rebeldes ampliam ações contra Assad na capital

Uma forte explosão devastou ontem uma agitada região comercial de Damasco, deixando pelo menos 14 mortos e mais de 100 feridos. Fachadas de edifícios ficaram completamente destruídas, no segundo dia consecutivo de confrontos na capital síria. A guerra civil entre os rebeldes que tentam depor o ditador Bashar Assad e as forças oficiais estende-se por mais de dois anos.

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2013 | 02h04

Na véspera, o premiê sírio, Wael Nader al-Halqi, escapou por pouco de uma tentativa de assassinato com carro-bomba a 4 quilômetros da explosão de ontem. Os ataques parecem indicar a intensificação da ofensiva dos insurgentes contra o regime em Damasco, que é fortemente defendida pelas forças oficiais. Testemunhas descreveram imagens de uma carnificina na Praça Marjeh. Dezenas de veículos e prédios foram danificados pela bomba de ontem, que foi detonada diante de um edifício que já abrigou o Ministério do Interior sírio.

"Ouvi um estrondo muito alto e depois o teto caiu em mim", disse o comerciante Zaher Naqef, cuja loja de celulares, em um prédio de escritório de 23 andares, ficou completamente destruída.

Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque imediatamente, mas os sunitas do Jabhat al-Nusra, rebeldes ligados à Al-Qaeda, têm se responsabilizado por atentados a bomba em Damasco e outras cidades sírias recentemente. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com base em Londres, afirmou que, horas após a explosão na Praça Marjeh, três granadas de morteiro atingiram Baramkeh, também na capital, uma região dominada pelas forças do governo. Segundo a ONG opositora, nove civis e cinco agentes de segurança foram mortos.

Na fronteira síria com a Turquia, um ataque aéreo contra rebeldes deixou cinco mortos e dezenas de feridos, afirmaram ativistas antirregime.

Movimentos externos. O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, indicou ontem que o grupo xiita libanês vai intervir em favor do regime de Assad se achar necessário, afirmando que o governo sírio "tem amigos de verdade na região e no mundo que não permitirão que a Síria caia nas mãos dos EUA, de Israel ou dos takfiris (termo pelo qual denomina os adeptos da Al-Qaeda)".

O Hezbollah tem ajudado combatentes das forças do ditador em vilarejos xiitas localizados nas proximidades da fronteira entre Líbano e Síria. Mas as declarações de Nasrallah são a mais forte indicação desde o início da guerra civil de que o grupo radical está disposto a ajudar a ditadura de Assad mais substancialmente.

Juntamente ao Irã, o Hezbollah é um aliado próximo do regime sírio. Nasrallah disse que não há forças iranianas dentro da Síria, exceto especialistas do país persa que estariam há décadas por lá. "O que você acha que aconteceria no futuro se a situação se deteriorar de uma maneira que requeira a intervenção de forças de resistência nessa batalha?"

Israel afirmou ontem que acionou centenas de reservistas para exercícios militares no norte do país, próximo à fronteira com o Líbano.

O presidente dos EUA, Barack Obama - segundo o qual o uso de armas químicas contra os rebeldes marcaria uma escalada inaceitável no conflito sírio -, disse que Washington tem de ter mais certeza sobre os fatos antes de decidir como interferir. De acordo com o americano, se fosse comprovado o uso desse tipo de armamento, seu governo teria de "repensar a gama de opções disponíveis" para a atuação do país em relação à guerra civil síria. / AP e REUTERS

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