TV Estadão | 08.06.2016
TV Estadão | 08.06.2016

Ataque a tiros em restaurante de Tel-Aviv deixa quatro mortos e seis feridos

Os atiradores, dois palestinos, foram dominados e presos; nenhum grupo assumiu a autoria do atentado

Renata Tranches / TEL-AVIV, O Estado de S. Paulo

08 Junho 2016 | 16h44

(Atualizado às 23horas) TEL-AVIV - Dois palestinos assassinaram quatro pessoas e deixaram ao menos seis feridos ao abrirem fogo num centro comercial e de restaurantes em Tel-Aviv, capital financeira e uma das mais importantes cidades israelenses. Os dois atiradores foram dominados pela segurança local e um deles – baleado durante troca de tiros – foi operado no mesmo hospital, o Ichilov, para onde foram levadas as vítimas do ataque. O outro foi preso e interrogado.  

O atentado foi considerado o mais grave desde que teve início a onda de terror, há oito meses, com vários ataques com facas de ativistas palestinos contra cidadãos israelenses. 

Embora nenhum grupo tivesse reivindicado o atentado, as autoridades tratavam a ocorrência como ato de terrorismo. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que retornou de Moscou momentos depois da ação, foi ao local do ataque e disse que seu governo “dará uma resposta”. 

“Mantivemos uma reunião sobre a série de ofensiva e medidas de defesa que implementaremos para atacar esse grave fenômeno dos ataques a tiros. Eles certamente nos desafiam, mas daremos uma resposta”, declarou Netanyahu, ao lado de Avigdor Lieberman, que passou a integrar o governo como ministro da Defesa nos últimos dias.

Um tuíte do Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que Ismail Haniyyeh, um dos líderes do Hamas – grupo que controla a Faixa de Gaza e organização considerada terrorista por vários países –, parabenizou os atiradores. 

O ataque ocorreu no complexo comercial Sarona, inaugurado há pouco tempo, formado por vários restaurantes e lojas e muito frequentado por turistas, especialmente durante a ensolarada primavera na cidade.

Uma testemunha dos disparos, o vendedor Avi Levi, de 31 anos, afirmou ao Estado que se preparava para comer seu hambúrguer quando os dois homens começaram atirar no restaurante ao lado. Segundo Levi, eles estavam vestidos como os religiosos ultraortodoxos e usavam quipá. 

Antes de atirar, contou o israelense, eles gritaram “Alla-u akbar” (“Deus é grande”, em árabe). Ele disse ter ouvido primeiro dois disparos e, em seguida, mais sete. 

Ele relatou que as pessoas corriam desesperadas e tentavam se proteger dos tiros. Levi disse que esse foi o primeiro ataque terrorista que testemunhou. “Em Jerusalém, as pessoas estão mais preparadas para lidar com essas situações, responder a um ataque mais rapidamente, mas aqui em Tel-Aviv, não”, afirmou. 

Na frente do Sarona, onde a imprensa se concentrava, um rabino surgiu e fez uma oração diante das câmeras. Segundo a polícia, não havia informação de inteligência sobre a iminência de uma ação terrorista em Tel-Aviv.

De acordo com informações oficiais, os atiradores são de uma vila perto da cidade palestina de Hebron na região da Cisjordânia. Uma emissora de TV local afirmou que os dois pertenciam à mesma família e teriam comido no restaurante antes de iniciar o ataque.

Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, por meio de um comunicado, condenou o “terrível e covarde ataque terrorista contra civis inocentes que nunca podem ser justificados”.

* Repórter viaja a convite do Ministério de Relações Exteriores de Israel

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