JOHN WESSELS / AFP
JOHN WESSELS / AFP

Extremistas tomam cidade e matam dezenas em Moçambique

Grupo quer interromper desenvolvimento de projeto de gás natural liquefeito de multinacional francesa no nordeste do país

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2021 | 19h14

MAPUTO - Extremistas tomaram no sábado, 27, o controle de grande parte de Palma, uma cidade no nordeste de Moçambique, após um cerco de três dias que deixou vários civis mortos e centenas de outros desaparecidos enquanto as forças do governo tentam recuperar o controle da região.

Os ataques deixaram ao menos sete mortos, dezenas de feridos e buscam ameaçar o desenvolvimento de um projeto de gás natural liquefeito de US$ 20 bilhões que a multinacional francesa Total está construindo na região.

Quase 200 pessoas, incluindo trabalhadores estrangeiros, buscaram abrigo em um hotel na cidade depois que quase 300 militantes invadiram a área na quarta, destruindo grande parte do município e fazendo centenas de residentes fugirem para áreas próximas.

Muitas pessoas estão desaparecidas. Na noite de sábado, os insurgentes cercaram quatro dos hotéis da cidade que abrigam estrangeiros que trabalham com empresas internacionais de gás na área. 

Até o momento, esse foi o mais próximo que eles chegaram do projeto da Total,  o maior investimento privado da África e localizado a 8 quilômetros de Palma. "Na quarta-feira passada, um grupo de terroristas invadiu Palma e realizou ações que resultaram no assassinato covarde de dezenas de pessoas indefesas", disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Omar Saranga no domingo.

Nos últimos três dias, as forças de segurança priorizaram "o resgate de centenas de cidadãos nacionais e estrangeiros", afirmou Saranga, acrescentando que ainda há "focos de resistência e ataques terroristas esporádicos".

O grupo conhecido como al-Shabab havia atacado vilarejos cada vez mais próximos ao local da Total em dezembro, levando a empresa a interromper o trabalho e remover os funcionários.

A Total disse no sábado que congelou os planos de voltar ao trabalho, tendo anunciado na manhã do ataque que iria reiniciar as atividades depois que o governo declarou um perímetro de 25 quilômetros ao redor do projeto como uma área especial de segurança. A companhia de energia francesa, que comprou uma participação de 26,5% no empreendimento por US$ 3,9 bilhões em 2019, não disse quando as operações podem ser retomadas.

O ataque é o mais recente em uma guerra brutal que se desenrola no norte do país envolvendo grupos insurgentes que se acredita estarem ligados ao Estado Islâmico. O conflito deixou pelo menos 2 mil civis mortos e deslocou mais 670 mil nos últimos anos, de acordo com grupos humanitários. / AFP, NYT e W. Post

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