Ataque em Tóquio choca e intriga japoneses

Transeuntes rezaram e depositaram floresna segunda-feira na movimentada rua comercial de Tóquio onde navéspera sete pessoas foram mortas por um homem com um punhal,uma tragédia que intrigou e chocou muitos japoneses. Um homem de 25 anos foi preso com a faca, todo coberto desangue. Segundo a polícia, ele lançou um caminhão contra amultidão e passou a apunhalar as pessoas ao descer do veículo. O Japão, um país que se gaba de sua baixa criminalidade ede seus rígidos padrões morais, vem testemunhando uma série deincidentes similares nos últimos meses. Em março, uma pessoa foi morta a facadas em frente a umaestação de trem na zona norte da capital. Em janeiro, umincidente semelhante feriu cinco. Também em março, umadolescente empurrou um estranho sob um trem no oeste do Japão,explicando depois que tinha vontade de matar alguém. Em todosos casos, as vítimas foram escolhidas aleatoriamente. "Recentemente, as relações interpessoais têm sidoafetadas", disse Taishi Ikeda, 29 anos, funcionário do setoreditorial. "Não há com quem falar quando se tem problemas." A imprensa diz que o agressor de domingo vivia só e tinhaum emprego temporário numa fábrica de automóveis. Acredita-seque ele fosse um freqüentador habitual do bairro de Akihabara,onde há muitos bares temáticos e lojas de produtos eletrônicose de itens relativos aos "animes" (desenhos animadosjaponeses). De acordo com a mídia local, ele alertou sobre a realizaçãodo ataque com dezenas de postagens na Internet nas horas queantecederam o incidente. "O Japão entrou num período de egoísmo. As pessoas têm asensação de que podem fazer qualquer coisa", disse JinsukeKageyama, professor de psicologia criminal no Instituto deTecnologia de Tóquio. "Mas quando essas pessoas não conseguem se satisfazer deformas socialmente aceitável, elas são tratadas comoderrotadas, e sua frustração cresce. Uma série de frustraçõespode levá-la a tentar recuperar sua auto-estima por meio docrime." Na opinião dele, um dos fatores dessa sensação de fracassopode ser a obsessão dos japoneses com as notas escolares. Alémdisso, o declínio da família estendida pode estar reduzindo aestrutura de apoio a jovens perturbados. Para o especialista, esse é um cenário onde não adiantaelevar as penas. Nos últimos cinco anos, a criminalidade em geral vem caindoainda mais. Nos últimos meses, o ministro da Justiça, KunioHatoyama, pró-pena de morte, vem estimulando sentenças maisrígidas e prisões mais rápidas. Kageyama acha que jovens propensos ao suicídio não serãodissuadidos dos ataques caso existisse a pena de morte. "Separte da motivação é que alguém quer morrer, penas severas nãodetêm." (Reportagem adicional de Mari Saito e Teruaki Ueno)

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