Ataque fora de Díli eleva temor sobre violência no Timor

Um ataque contra um diretório do partido governista timorense elevou nesta quinta-feira o temor de que a recente onda de violência que tomou conta de Díli, a capital, esteja se disseminando para outras partes do Timor Leste.Ainda não se sabe se o ataque na quarta-feira contra o diretório da Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente (Fretilin) em Gleno, 30 quilômetros a sudoeste de Díli, foi um ato isolado ou se faz parte de um esforço para pressionar o governo em um momento no qual as forças de paz estrangeiras lideradas pela Austrália tornam-se mais visíveis e ativas na capital.Não há informações sobre vítimas do ataque, perpetrado na noite de quarta-feira em Gleno, mas o paradeiro de seis pessoas que fugiram do local atacado ainda é desconhecido.O líder comunitário na cidade atacada, Francisco Salsinha, disse que a ação foi conduzida por um grupo de cerca de dez militares e policiais renegados que dispararam pelo menos quatro tiros contra o diretório da Fretilin.Pelo menos dez pessoas que estavam no interior do diretório no momento do ataque saíram correndo, prosseguiu Salsinha. De acordo com outras testemunhas, os agressores saíram atrás dos fugitivos e dispararam mais sete tiros. O paradeiro de seis das dez pessoas que fugiram ainda é desconhecido.Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores do Timor Leste, José Ramos Horta, manifestou a esperança de que as negociações preliminares para encerrar essa sangrenta crise comecem já na próxima semana.Em março, cerca de 600 soldados em greve foram dispensados pelo Exército e desencadearam confrontos com as forças regulares. Trata-se da pior onda de violência no país desde 1999, quando os timorenses foram às urnas em um referendo no qual aprovaram sua independência da Indonésia.Pelo menos 30 pessoas morreram nas últimas semanas por causa dos episódios de violência concentrados em Díli, mas Ramos Horta alertou que o número de vítimas pode ser maior.

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