Ataque israelense deixa quatro mortos em Ramallah

Forças israelenses realizaram nesta quinta-feira uma ofensiva contra um mercado de vegetais na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, matando quatro palestinos e prendendo outros quatro. Esta é a maior operação desde que israelenses e palestinos concordaram com uma trégua válida na Faixa de Gaza. Os confrontos ocorreram horas antes do início de uma cúpula entre Israel e Egito sobre o processo de paz no Oriente Médio. Segundo fontes hospitalares, os quatro palestinos mortos eram civis. Outras 25 pessoas ficaram feridas na ação, criticada pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas. Em um duro pronunciamento distribuído à imprensa, Abbas disse que o ataque levanta dúvidas sobre o comprometimento dos israelenses com o processo de paz. O palestino também exigiu US$ 5 milhões pelos danos causados a lojas e carros.Já em Gaza, as tensões internas entre facções palestinas permaneceram sem trégua. Nesta quinta-feira, seis pessoas foram mortas - incluindo um alto agente de segurança - em confrontos entre atiradores fiéis ao Hamas e ao Fatah.Em Ramallah, nuvens de fumaça podiam ser vistas sobre o centro da cidade depois da operação israelense, que durou duas horas e foi marcada pela presença de veículos blindados e escavadeiras. Uma porta-voz israelense classificou a ação de "atividade rotineira de captura". Ela informou que os quatro militantes procurados pelas forças israelenses foram detidos. Essa foi a maior operação em Ramallah desde maio, quando quatro palestinos foram mortos por forças israelenses. Fontes palestinas disseram que um helicóptero israelense atirou contra um prédio perto da praça Manara. Para um representante do Exército, os tiros foram dados numa "área aberta". Esforços em vãoA operação aconteceu algumas horas antes do encontro entre o premier israelense, Ehud Olmert, e o presidente egípcio, Hosni Mubarak, para discutir o processo de paz e a provável extensão da trégua de Gaza para a Cisjordânia. Após o encontro, Olmert desculpou-se pelos danos causados aos civis, mas disse que a operação tinha por objetivo proteger Israel de ataques terroristas. Ao lado de Olmert, Murabak, por sua vez, condenou a ação: "A segurança de Israel não pode ser alcançada através da força militar, mas por sérios esforços na direção da paz", disse ele.Segundo um integrante da liderança das Brigadas dos Mártires Al Aqsa, um grupo militante da facção de Abbas, a operação visava capturar um de seus membros. Numa outra incursão na cidade de Belém, também na Cisjordânia, forças israelenses feriram um palestinos e prenderam outro, disseram fontes locais. Esse tipo de operação é comum na Cisjordânia, mas não em Ramallah, a sede do governo palestino. O cessar-fogo firmado entre a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e Israel na Faixa de Gaza não se aplica à Cisjordânia e a parte israelense condicionou sua extensão a esta região ao fim dos ataques com foguetes Qassam.Violência internaMais cedo, na Faixa de Gaza, um alto agente de segurança leal ao Fatah morreu quando militantes do Hamas cercaram sua casa e trocaram tiros com seus guarda-costas. Quatro guardas e um militante do Hamas foram mortos e três outras pessoas ficaram feridas no combate. O confronto marca mais um dia de embates entre as facções rivais palestinas. Na quarta-feira, cinco pessoas morreram no pior combate entre o Hamas e o Fatah desde que os dois grupos acertaram uma frágil trégua em Gaza, há duas semanas. O premier palestino, Ismail Haniye, do Hamas, pediu calma. "As armas só devem ser apontadas contra a ocupação israelense", disse o premier a repórteres ao voltar da peregrinação do haj, na Arábia Saudita.As persistentes tensões entre facções palestinas - que começaram há cerca de um mês - são o resultado de um impasse político entre o Hamas, que foi eleito democraticamente para controlar o gabinete da ANP, e Abbas, que como presidente mantém grande influência sobre as instituições palestinas. Durante meses, o Hamas e o Fatah (o partido de Abbas) tentaram estabelecer um governo de união nacional para a retomada do processo de paz com Israel. O Estado judeu não reconhece o governo do Hamas, que prega a sua destruição. Depois que as negociações falharam e Abbas prometeu antecipar as eleições para a formação de um novo gabinete, as tentativas de trégua entre os dois lados entraram em colapso.Texto ampliado às 19h15

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