Ataque israelense mata bebê de 4 meses

Retaliando disparos de morteiro, tanques israelenses bombardearam nesta segunda-feira um campo de refugiados, matando um menina palestina de quatro meses, Iman Hijo - a mais jovem vítima do atual derramamento de sangue no Oriente Médio. A mãe de 19 anos da menina, sua avó e três outras crianças da família foram também seriamente feridas por estilhaços quando uma bomba caiu no pequeno quintal da casa de tijolos de concreto no campo de refugiados de Khan Yunis, na Faixa de Gaza, disseram parentes. No Hospital Nasser, onde cirugiões operaram vários integrantes da família Hijo, mulheres da família vestidas de preto sentaram-se no chão do lado de fora da sala de operações, chorando, ululando e amaldiçoando o primeiro-ministro Ariel Sharon. Iman Hijo foi morta na hora quando uma bomba caiu no quintal, onde integrantes da família estavam sentados, e um grande estilhaço penetrou em suas costas, segundo seu tio Wael Hijo. Na sala de emergência do hospital, uma tia de sete anos de Iman Hijo, Dunya, estava sentada numa cama com uma expressão de perplexidade, o vestido suspenso e cortes nas pernas cobertos por bandagens. "Eles mataram a bebê", disse Dunya, e começou a chorar. Outro integrante da família, Mahmoud Hijo, de 18 meses, estavam no centro de tratamento intensivo com ferimentos de estilhaços, disseram médicos. Ao todo, 24 palestinos foram feridos, entre eles 10 crianças, no campo de Gaza, segundo médicos palestinos. Um policial palestino também foi morto em confrontos na Cisjordânia, disseram palestinos. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse lamentar a morte de Iman e que suas tropas não tiveram intenção de ferir crianças. "Crianças e bebês não deveriam estar envolvidos nesta terrível guerra, que gostaríamos que um dia terminasse", afirmou Sharon. Mas o primeiro-ministro, abrindo a sessão de verão (boreal) do Parlamento, enfatizou que Israel irá responder duramente a ataques palestinos. O bombardeio desta segunda foi a resposta de Israel à ação de militantes palestinos que fizeram quatro disparos de morteiros contra dois assentamentos judeus em Gaza. Ninguém ficou ferido nos ataques, segundo israelenses. Autoridades palestinas garantiram que nenhum disparo de morteiro foi efetuado. "A luta contra o terrorismo será realizada sem compromissos" disse Sharon, que teve uma retumbante vitória eleitoral em fevereiro com a promessa de pôr fim à violência. "A luta não será curta e não será fácil. Mas estamos determinados a ganhar esta luta. Estamos determinados a não permitir que os terroristas tenham qualquer vitória. Não haverá conversações de paz sob fogo". Muitas vítimas dos sete meses de confrontos têm sido civis, e as de hoje não foram exceções. "É um terrível e trágico evento", afirmou a porta-voz do Exército judeu, capitã Sharon Feingold, sobre a morte de Iman. Ela disse que eles acreditavam que as casas na área estavam vazias. "Nós respondemos ao fogo palestino. Os disparos vinham daquela direção. Temos de proteger a vida de nossos civis." A maioria dos bombardeios visou uma área de mercado que fica a poucos metros da casa da família Hijo. Iman Hijo é a mais jovem pessoa a morrer por disparos nos confrontos, que explodiram em setembro e que já causaram a morte de 436 palestinos e 72 israelenses. Uma menina israelense de 10 meses foi morta a tiros na cidade de Hebron, na Cisjordânia, em março. Uma garota palestina de um mês morreu no ano passado na Cisjordânia numa área onde israelenses usaram gás lacrimogêneo, mas não ficou claro se o gás contribuiu para sua morte. Em outro desdobramento nesta segunda, a Marinha israelense capturou um barco pesqueiro do Líbano carregado com mísseis, morteiros e granadas que, segundo o comandante da Marinha, seriam entregues para a Autoridade Palestina na Faixa de Gaza. A Autoridade Palestina nega ter qualquer envolvimento com o armamento apreendido. Com uma grande quantidade de armas espalhada na doca do porto israelense de Haifa, o almirante Yedidia Yaari disse que as armas seriam "capazes de mudar o equilíbrio de forças na nossa atual luta com os palestinos". Na Cisjordânia, tropas israelenses entraram brevemente em três cidades controladas pelos palestinos em perseguição a atiradores - parte de uma nova e controvertida política que dá aos comandantes em campo a autoridade de lançar tais assaltos, sem esperar pela aprovação governamental. Os palestinos consideram tais incursões uma grande violação de acordos interinos. Israel afirma que os acordos dão a suas tropas o direito de "perseguir no ato" militantes. Em outra incursão desse tipo nesta segunda, forças israelenses entraram na cidade de Samoa, Cisjordânia, e mataram um policial palestino num tiroteio, disseram fontes de segurança palestinas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.