Ataque motivado por filme anti-Islã mata 12 em Cabul

Otan anuncia redução de atividades em conjunto com forças afegãs em razão de ataques de militares locais contra a coalizão

CABUL, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h08

A explosão de um carro-bomba que colidiu contra um micro-ônibus que transportava funcionários de aviação ao aeroporto de Cabul matou ao menos 12 pessoas ontem. No mesmo dia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que pretende encerrar sua presença militar no país até 2014, determinou uma redução nas operações que mantém em conjunto com as forças de segurança locais.

O grupo insurgente islâmico Hizb-i-Islami assumiu a autoria do atentado, afirmando que a ação foi motivada pelo filme Inocência dos Muçulmanos, que ridiculariza o profeta Maomé e tem provocado manifestações de religiosos em diversos países nos últimos dias.

A forte explosão foi a primeira a ocorrer em Cabul desde que o vídeo do trailer da obra foi divulgado na semana passada na internet. O atentado foi o segundo a ocorrer desde a publicação dos trechos do filme - e o mais mortífero. O militante islamista Harun Zarghun afirmou em nome do Hizb-i-Islami que uma jovem de 22 anos chamada Fátima praticou o ataque voluntariamente. Atentados suicidas praticados por mulheres são raros no Afeganistão - ainda mais por mulheres conduzindo veículos.

"O filme anti-Islã fere nossos sentimentos religiosos e não podemos tolerá-lo", disse Zarghun. "Havia vários rapazes que queriam se vingar, mas Fátima também se ofereceu e nós queríamos dar uma chance para uma garota praticar o atentado e dizer ao mundo que não ignoramos nenhum ataque ao Islã."

Segundo o governo do país, oito dos mortos eram cidadãos sul-africanos e os outros quatro, afegãos. Onze civis ficaram feridos.

Receio. O secretário de Defesa britânico, Philip Hammond, disse ontem que a decisão de diminuir a frequência das operações da Otan no Afeganistão é uma resposta à escalada das ameaças contra estrangeiros ocorrida após a divulgação dos trechos do filme ofensivo aos muçulmanos. O número de ataques contra a Otan praticados por militares afegãos chegou a 51 este ano. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.