Ataque muda agenda de Obama

Presidente eleito dos EUA terá de dividir atenção entre colapso da economia e crise no Oriente Médio

Fernando Dantas, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

O ataque de Israel contra a Faixa de Gaza deve mexer na agenda de prioridades do presidente eleito dos EUA, Barack Obama. Preparado para dar grande destaque à questão econômica, e já mobilizado pela tarefa de montar e aprovar o maior pacote de estímulo fiscal da história americana, Obama agora terá de dividir suas atenções com a administração de uma crise de grandes proporções na política externa. Ele estará em situação particularmente delicada, pois sua posição favorável ao entendimento e ao diálogo será testada por dois inimigos em momento de escalada das hostilidades. Até a decisão de Obama de não dar palpite antes de assumir o cargo no dia 20 está sendo criticada. "Obama e seus assessores deveriam estar aconselhando o governo George W. Bush a usar todos os meios diplomáticos possíveis para promover uma trégua e exortar Israel a não invadir Gaza", escreveu John Nichols, analista da revista The Nation. Mas a crise em Gaza também pode se revelar uma oportunidade para Obama deslanchar uma abordagem renovadora na política externa. Para Shibley Telhami, professor de Ciência Política da Universidade de Maryland, há hoje uma crise de liderança mundial. Assim, o presidente eleito pode aproveitar seu carisma e a rejeição geral às estratégias de Bush para recriar as condições de negociações para uma paz duradoura na região. "As pessoas estão esfomeadas por liderança e há também a obamania, as pessoas estão fascinadas com o novo presidente", disse.O difícil, porém, segundo alguns analistas, será conseguir de fato mudar a posição dos EUA de apoio quase incondicional a Israel. Até mesmo representantes mais à esquerda do Partido Democrata de Obama, como a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, têm posições sobre o conflito que não diferem do tom adotado por Bush. "O Hamas e seus apoiadores têm de entender que Gaza não terá permissão para ser um santuário para ataques contra Israel", disse a senadora.O próprio Obama, em visita a Israel durante a campanha presidencial, declarou que nenhum país aceitaria ser alvo de uma chuva de foguetes, referindo-se aos constantes ataques palestinos contra Israel. "Se alguém estivesse lançando foguetes contra minha casa, onde minhas filhas estavam dormindo, eu faria tudo para parar com isso e eu encorajo Israel a fazer o mesmo", disse Obama na ocasião.Para Robert Lieber, da Universidade Georgetown, em Washington, com a chegada de Obama ao poder, "pode haver mudanças na linguagem e em nuances, mas a realidade básica continua a mesma".APOIO DA CASA BRANCAO governo Bush apoiou ontem firmemente os ataques de Israel contra Gaza e exigiu que o Hamas páre de lançar foguetes e concorde com um cessar-fogo. "O Hamas novamente mostrou suas verdadeiras cores como um grupo terrorista que rejeita até mesmo o direito de Israel de existir", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johdroe.

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