Ataque mudou geopolítica mundial, diz cientista

O ataque dos Estados Unidos ao Iraque já mudou a ordem geopolítica mundial, mas a extensão desta mudança só poderá ser avaliada no desfecho de cada ato da guerra, nos próximos dias ou semanas, afirmou hoje o cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).Alguns cenários projetados, de acordo com ele, poderiam levar à uma ruptura profunda da atual ordem internacional, com desdobramentos imprevisíveis. "Saddan Hussein é um problema para muitos países árabes, que não achariam nenhum pouco lamentável a sua saída, e portanto não é provável que ocorra nenhuma grande união neste primeiro momento", avaliou Rizzo. "Mas se o Iraque ataca Israel e Israel reage pesado ao ataque, o mundo árabe pode deixar os Estados Unidos em situação muito difícil."Para Rizzo, a extensão dos ataques também pode ser decisiva. "Se a guerra se prolongar, os efeitos são imprevisíveis. Se for de curta duração, mas devastadora, se destruir o Iraque e provocar um banho de sangue, isso também vai ter reflexos profundos no mundo árabe", disse ele. A decisão dos Estados Unidos de agir sem a Organização das Nações Unidas (ONU) e sua disposição de aplicar de forma incondicional a chamada Doutrina Bush, já indicam para Rizzo uma "grande mudança" na ordem geopolítica mundial."A Doutrina Bush, sacramentada no documento Estratégia de Segurança Nacional, de setembro do ano passado, coloca o terrorismo como o grande inimigo dos Estados Unidos e inclui aí pessoas, organizações e governos ligados ou que dêem apoio ao terrorismo, entre eles Cuba, Coréia do Norte, Irã e Sudão além do Iraque", afirma Rizzo. "Isso quer dizer que a partir de agora estes países podem ser atacados por deliberação própria a qualquer momento." Rizzo lembra que a Doutrina Bush preconiza também que os Estados Unidos podem agir em qualquer parte do mundo quando sentirem que seus interesses econômicos e políticos estiverem em riscos. "Estranhamente, os intelectuais brasileiros não prestaram muita atenção neste detalhe do documento, mas ele é decisivo porque inclui qualquer grande economia emergente do mundo, como a China e, porque não, o Brasil", avalia ele.

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