Ataque na Líbia deve colocar política externa de Obama no centro de campanha eleitoral

Opositores já vinham criticando presidente por 'simpatia excessiva' com Islã.

Mark Mardell, BBC

12 de setembro de 2012 | 11h39

O presidente americano Barack Obama condenou o "ataque ultrajante" que matou o embaixador americano Christopher Stevens na Líbia e outros três funcionários na noite de terça-feira.

Ele disse que o serviço dos funcionários diplomáticos "exemplifica o compromisso americano com a liberdade, a justiça e a parceria com nações e pessoas ao redor do mundo, e contrasta fortemente com aqueles que tiraram suas vidas".

Os quatro foram mortos em um ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi realizado por um grupo de homens armados em retaliação à um filme americano que supostamente insulta o Islã.

O presidente ordenou o aumento da segurança nas representações americanas em todo o mundo e disse: "Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos rejeitam quaisquer esforços de insultar as crenças religiosas de outros, todos nós devemos nos opor ao tipo de violência sem sentido que tirou a vida destes servidores públicos".

É quase inevitável que este ataque coloque a política externa de Obama no centro da campanha eleitoral nos Estados Unidos, ao menos por algum tempo.

'Vergonhoso'

Opositores de Obama alegam que o presidente se mostra excessivamente simpático ao Islã e disposto a se desculpar pelos Estados Unidos no mundo.

Outros sugerem que o apoio aos movimentos da chamada Primavera Árabe permitiu que grupos antiamericanos se fortalecessem.

Horas antes, a campanha do candidato republicano à presidência, Mitt Romney, reagiu a um comunicado da embaixada americana no Cairo condenando as supostas tentativas de ofender os muçulmanos. A embaixada no Egito também foi atacada por causa do filme.

"É vergonhoso que a primeira resposta da administração Obama não tenha sido a de condenar os ataques a nossas missões diplomáticas, mas simpatizar com as pessoas que realizaram os ataques."

A Casa Branca disse que o comunicado da embaixada egípcia não passou pela aprovação do governo.

O ataque que matou os americanos em Benghazi também deve lançar um debate sobre o apoio de Obama à campanha militar da Otan na Líbia, que levou à queda do coronel Muamar Khadafi.

Na época, Romney acusou o presidente democrata de "vacilar", mas não disse se, em sua opinião, Obama estava fazendo muito ou muito pouco na situação. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.