Jamal Taraqai / EFE
Jamal Taraqai / EFE

Atentado suicida no Paquistão deixa dezenas de mortos em dia de eleições

Autoria da ação foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico; campanha eleitoral foi marcada por diversos ataques e acusações de interferência do Exército

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2018 | 04h35
Atualizado 25 Julho 2018 | 12h56

ISLAMABAD - Os colégios eleitorais abriram nesta quarta-feira, 25, no Paquistão para as imprevisíveis eleições gerais, marcadas por um atentado suicida que deixou cerca de 30 mortos. Na cidade de Quetta, um homem se explodiu e dezenas de pessoas ficaram feridas.

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou a autoria do ataque, que aumenta mais ainda a tensão das eleições após uma campanha marcada por diversos atentados e acusações de interferência do Exército.

Cerca de 100 milhões de eleitores foram convocados a votar no país que tem 207 milhões de habitantes e eleger primeiro-ministro e deputados para os próximos cinco anos. A formação ganhadora será chamada para formar o novo governo federal.

Os mais de 85 mil colégios eleitorais abriram suas portas às 3h (0h em Brasília) e a votação será encerrada às 13h (10h em Brasília). Os primeiros resultados devem ser divulgados ainda na noite desta quarta-feira.

As Forças Armadas mobilizaram cerca de 370 mil soldados em todo o país para garantir a realização da votação sem incidentes. Esta é a maior operação do tipo na história do Paquistão para um dia de eleição. Segundo as autoridades eleitorais, 450 mil policiais também estão mobilizados para o pleito.

Cenário eleitoral

Os eleitores estão divididos entre a Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-N), de Shabaz Sharif, e o Tehreek-e-Insaf (PTI - Movimento para a Justiça), do popular ex-jogador de críquete Imran Khan. 

Sharif votou pela manhã no centro de Lahore, capital da Província de Pendjab, a mais populosa do país. Os partidos políticos encerraram na segunda-feira seus compromissos eleitorais públicos.

Khan, que dirige o Tehreek-e-Insaf e segue entre os favoritos, lançou um apelo aos seus eleitores, pedindo que "acordem cedo e saiam para votar", diante de milhares de partidários em Lahore.

"A vitória é certa", afirmou, por sua vez, Sharif, que substituiu o irmão Nawaz, preso por corrupção, à frente da Liga Muçulmana (PML-N). "Contra todas as expectativas, o PML-N está em boa posição para vencer as eleições.” O partido diz estar sendo perseguido pelo Exército e pela Justiça, em detrimento do PTI de Khan.

A campanha eleitoral, de curta duração, mas extremamente dura, foi marcada por acusações de manipulações flagrantes pelo Exército, bem como pelo crescimento dos partidos religiosos extremistas e atentados que deixaram mais de 180 mortos, incluindo três candidatos.

No dia 12, um ataque em um comício eleitoral matou 149 pessoas, tornando-se o segundo mais sangrento na história do Paquistão. A ação, cuja autoria foi reivindicada pelo EI, foi a terceira contra um comício na mesma semana no país.

A Comissão Eleitoral paquistanesa autorizou aos soldados amplo acesso e poderes nos colégios eleitorais, aumentando os temores de uma interferência. / AFP

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