Ataque paralisa campanha americana

Obama e republicano Mitt Romney unem-se em condenação ao massacre e solidariedade às famílias das vítimas; luto nacional de 4 dias

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2012 | 03h01

Com uma pausa em sua campanha, o presidente dos EUA, Barack Obama, transformou seu comício de ontem em Fort Myers, na Flórida, num momento de "oração e reflexão" para as vítimas do ataque em Aurora, no Colorado. À plateia democrata, Obama afirmou estar "desolado" e ter sorte de poder, naquela noite, abraçar suas filhas Malia e Sasha, que também vão assistir a filmes no cinema.

Obama decretou luto oficial de seis dias em todo o país. Em seguida, cancelou seu segundo dia de eventos eleitorais na Flórida e retornou à Casa Branca. O presidente conversou de tarde, por telefone, com o chefe de polícia de Aurora, Dan Oates, e disse que ele poderia contar com o apoio do FBI nas investigações.

Outra pausa deu-se na nova iniciativa da primeira-dama, Michelle Obama, de motivar eleitores democratas a manter uma atitude mais ativa em prol da reeleição de seu marido. O programa "É Preciso" seria lançado ontem no Estado da Virgínia. O vice-presidente, Joe Biden, também cancelou compromissos.

Obama recebera detalhes sobre o ataque ao cinema de seu conselheiro para Segurança Nacional, John Brennan, logo ao desembarcar em Forte Myers, pela manhã. O presidente conversou com o prefeito de Aurora, Steve Hogan, e com o governador do Colorado, John Hickenlooper, antes de dirigir-se à plateia.

"O governo federal está pronto para fazer o que for preciso para trazer à Justiça quem quer que seja o responsável por esse crime hediondo. Vamos tomar todos os passos possíveis para garantir a segurança de nosso povo", afirmou. "Nunca entenderemos o que faz alguém aterrorizar outras pessoas, como nesse caso. Tamanha violência, tamanha maldade não tem sentido. Está além da razão", completou Obama.

Uma das principais ações governamentais para evitar episódios como o de Aurora seria o controle das vendas de armas, segundo especialistas. A questão, entretanto, é um tabu no país e chegou a causar danos à candidatura do democrata Al Gore à presidência em 2000. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, enfatizou o desejo de Obama de adotar "medidas de senso comum". O próprio presidente havia declarado sua disposição de introduzir limites à venda de armas depois do ataque armado contra a deputada Gabrielle Giffords no Arizona, em janeiro de 2011, que resultou na morte de 6 pessoas e ferimentos em 13.

Mas as iniciativas não surgiram e não há propostas de controle nos programas de governo de Obama ou de seu opositor Mitt Romney para a gestão de 2013 a 2017. Romney, ontem, não tocou na questão, repudiada por fortes setores da base republicana, como a Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês). Abandonou o tiroteio eleitoral e preferiu não falar como "candidato à presidência".

"Ann e eu nos juntamos ao presidente e à primeira-dama e a todos os americanos oferecendo profundas condolências por aqueles que tiveram suas vidas destruídas em um momento de maldade no Colorado", afirmou, referindo-se a sua mulher.

O único político a cobrar do presidente e de seu rival nas urnas "ideias concretas" para o controle de armas no país foi o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. "Palavras tranquilizadoras são boas, mas talvez seja hora de duas pessoas que querem ser presidente dos EUA estarem prontas e dizer o que farão sobre isso. Pois esse é um problema em todo o país", afirmou, em entrevista à rádio WOR. "Quero dizer que há muitos assassinos com armas nas mãos todos os dias, e isso tem de acabar."

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