Ataque perto da Mesquita Vermelha mata 13 no Paquistão

Atentado ocorreu durante reabertura de templo, cenário de combates que deixaram mais de 100 mortos

Kamran Haider, REUTERS

27 Julho 2007 | 12h10

Um atentado suicida ocorrido nesta sexta-feira, 27, dentro de um restaurante localizado perto do complexo da Mesquita Vermelha, na capital do Paquistão, Islamabad, matou ao menos 13 pessoas, a maioria delas policiais, e deixou outras 50 feridas, disseram autoridades. A mesquita tinha sido o centro de um protesto de radicais islâmicos mais cedo.   Veja também: Estudantes voltam a ocupar Mesquita Vermelha Entenda a violência na Mesquita Vermelha do Paquistão Khalid Pervez, dirigente máximo da cidade, disse à Reuters que a explosão havia sido um ataque suicida. "Nós tomamos todas as medidas preventivas, mas apesar disso, esse incidente infeliz aconteceu. Ataques como esses não podem ser descartados no futuro também." Desde a operação militar realizada no começo deste mês para suprimir um movimento semelhante ao Taleban e que dominava a Mesquita Vermelha (ou Lal Masjid), o Paquistão viu-se atingido por uma série de ataques suicidas realizados por militantes islâmicos. Essas ações, que pretendem desestabilizar o governo pró-Ocidente do presidente Pervez Musharraf, mataram até agora mais de 180 pessoas, a maior parte delas policiais e soldados. Na explosão mais recente, ao menos sete policiais perderam a vida, afirmou à Reuters o ministro do Interior do país, Kamal Shah. "Os policiais eram o alvo do ataque", disse Shah, acrescentando que se tratou, provavelmente, de uma retaliação pela investida contra a Mesquita Vermelha. O restaurante atacado localiza-se a cerca de 550 metros da mesquita. "Os uniformes e quepes dos policiais ficaram espalhados por todos os lugares. Há manchas de sangue em todos os cantos", contou à Reuters uma testemunha. Nisar Ahmed, outra testemunha, disse: "A explosão foi bastante violenta. Eu vi dois corpos voando pelos ares e caindo na rua." Horas antes, a polícia paquistanesa havia usado bombas de gás lacrimogêneo para dispersar militantes islâmicos que atrapalharam os planos do governo de retomar as atividades religiosas no complexo da mesquita, palco dos combates travados no começo deste mês. As forças de segurança paquistanesas invadiram a Mesquita Vermelha no dia 10 de julho depois de um impasse de uma semana durante o qual os simpatizantes de um clérigo radical muçulmano abrigados no local recusaram-se a entregar suas armas. O governo diz que 102 pessoas morreram na operação militar realizada dentro do complexo, que servia de base para um movimento semelhante ao Taleban. Após os combates, as autoridades fecharam o local, então com marcas de balas e bombas, para reformá-lo. A mesquita foi reaberta oficialmente para as orações na quinta-feira, 27. A manobra visava acalmar os ânimos dos religiosos, acirrados devido ao cerco e à invasão do complexo. Durante o certo, Maulana Abdul Aziz, o clérigo radical da mesquita, foi flagrado tentando fugir dali disfarçado em uma burca. Mas o irmão mais novo dele, Abdul Rashid Ghazi, vice de Aziz, resistiu ao cerco, e morreu durante o ataque. Gritando palavras de ordem como "Musharraf é um assassino" e "Ghazi, seu sangue provocará uma revolução", centenas de manifestantes saíram da mesquita na sexta-feira depois das orações. Os manifestantes impediram que o imã nomeado pelo governo conduzisse o serviço religioso no local. Cerca de dez deles subiram no teto da mesquita e hastearam uma bandeira negra com a palavra "Kalma" - expressão muçulmana para fé. "Se a jihad é o terrorismo, então esse terrorismo continuará aqui para sempre", afirmou o manifestante Ghulam Mustafa. (Reportagem adicional de Zeeshan Haider)

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