Ataque pode ter matado até 200 pessoas na Síria

Ofensiva foi contra vila alauita, minoria à qual pertence Assad; número exato de mortos e feridos não foi confirmado

BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h04

Uma série de atentados a bomba na Síria pode ter matado ontem até 200 pessoas em um vilarejo alauita - minoria religiosa à qual pertence o presidente Bashar Assad. Os autores do ataque e número exato de mortos e feridos não foram confirmados.

"Não é possível saber, no momento, se os rebeldes estão por trás dos ataques, mas, se assim for, será a operação mais importante de retaliação por insurgentes contra civis alauitas", declarou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, organização opositora com sede em Londres.

A participação de grupos extremistas islâmicos nos confrontos na Síria preocupa a comunidade internacional. Ontem, os EUA anunciaram sanções financeiras contra os líderes do grupo Jabat al-Nusra, ao mesmo tempo em que prometem reconhecer a nova coalizão de oposição a Assad.

Autoridades americanas afirmaram que reconhecerão formalmente, na quarta-feira, no Marrocos, a oposição unificada sob o guarda-chuva da Coalizão Nacional Síria (CNS) como "representante legítima" e "única representante dos sírios". O Departamento de Estado dos EUA insiste, no entanto, que a CNS se isole dos extremistas.

É com o apoio de combatentes de grupos radicais islâmicos, porém, que a oposição avança. Ontem, após dois dias de confrontos intensos, que deixaram pelo menos 35 soldados do governo mortos, os rebeldes assumiram o controle de uma base nos arredores de Alepo, o segundo posto militar capturado no norte do país pelos rebeldes, que avançam em direção a Damasco.

Entre eles, estão as forças do Jabhat al-Nusra. Seus combatentes são reconhecidos como os mais eficientes entre os rebeldes e responsáveis pelas conquistas recentes da oposição. Com as sanções anunciadas ontem, os nomes de dois de seus dirigentes, Maysar Ali Moussa Abdallah al-Juburi e Anas Hassan Khatab, entraram para a lista americana de terroristas, o que, na prática, congela os ativos que tenham nos EUA e permite punir legalmente cidadãos que tenham vínculos comerciais com eles.

As autoridades americanas lembraram que também faz parte da lista a Jaish al-Shabbi, milícia favorável a Assad. O objetivo, segundo Washington, é "apoiar as aspirações legítimas do povo sírio de se libertar da opressão do regime" e "combater os esforços da rede Al-Qaeda para subverter a oposição síria". / REUTERS, AP e AFP

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