Ataque rebelde deixa 192 refugiados mortos em Uganda

Rebeldes ugandenses armados com fuzis, machetes, morteiros e granadas propelidas por foguete atacaram um campo de refugiados no norte de Uganda, atirando contra as pessoas que fugiam e queimando outras vivas. Pelo menos 192 pessoas foram assassinadas e dezenas ficaram feridas, disseram as autoridades.O ataque, que ocorreu na noite de sábado no campo de Barloonyo, no Distrito de Lira, foi atribuído aos rebeldes do Exército de Resistência do Senhor, que combate o governo de Uganda há 17 anos. "Muitas vítimas morreram queimadas depois que os rebeldes as obrigaram a entrar nas cabanas de palha às quais atearam fogo", disse neste domingo o deputado Charles Angiro.Um padre católico que trabalha na região disse que havia 173 mortos. "Eu contei 121 corpos e outros 52 já haviam sido enterrados em valas comuns", disse o padre Sebat Ayala. A maioria dos 4.800 refugiados conseguiu escapar para a selva e só voltou na manhã de domingo, acrescentou o padre.Líder místicoO Exército de Resistência do Senhor (ERS) é liderado pelo místico Joseph Kony. As Forças Armadas ugandenses disseram que o ataque de sábado era uma vingança do ERS por soldados terem matado pelo menos 95 rebeldes no norte de Uganda nos últimos dias.Os militares disseram que a tática do ERS é atacar os campos de refugiados, geralmente vigiados por milícias pró-governo, forçando as tropas oficiais a retornarem aos acampamentos e suspenderem a caça aos rebeldes.Os rebeldes seqüestraram milhares de crianças, usadas como combatentes ou escravas sexuais. O ERS diz que combate para defender os interesses do povo acholi, do norte de Uganda, mas nunca esclareceu suas exigências.

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