REUTERS/Omar Sobhani
REUTERS/Omar Sobhani

Ataque reivindicado pelo EI em mesquita xiita de Cabul deixa ao menos 12 mortos

Extremista com colete explosivo e homens armados invadiram local durante a reza de sexta-feira; fontes da área de saúde dizem que o número de mortos pode passar de 20

O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2017 | 12h46

CABUL - Ao menos 12 pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas nesta sexta-feira, 25, em Cabul em atentado suicida seguido por ataque armado a uma mesquita xiita reivindicado pelo Estado Islâmico (EI), informaram as autoridades locais. Fontes da área de saúde, no entanto, dizem que o número de mortos pode passar de 20.

O ataque, que durou várias horas, só foi contido no fim da tarde (hora local) e teve a participação de pelo menos um homem-bomba e de vários combatentes armados. "O local já foi liberado pela polícia", declarou o porta-voz o ministério de Interior, Najib Danish. Ele informou que pelo menos 3 extremistas foram mortos pelas forças de segurança.

O pânico se espalhou entre os muçulmanos que estavam tanto dentro quanto fora da mesquita no momento do atentado. "Nossos parentes estão presos no interior. Ligamos para eles e não atendem. Tememos que tenham sido feitos reféns e estamos muito preocupados", disse, antes de a polícia controlar a situação, um homem que não quis se identificar.

O EI reivindicou a ação através de um site usado para propaganda jihadista. "Dois 'inghimasi' do Estado Islâmico executam um ataque contra uma husseiniya [lugar de culto xiita] no setor de Jair Jana, na cidade afegã de Cabul", afirmou o site, usando o termo 'inghimasi' para aqueles que, além das armas, utilizam um cinto explosivo, que acionam como último recurso no combate.

A comunidade xiita tem sido alvo frequente dos atentados no Afeganistão e acusa as forças de segurança de não fazer o necessário para protegê-la. Em agosto, o EI reivindicou o ataque a uma mesquita em Herat durante o horário de oração que deixou 33 mortos. No mês anterior, a explosão de um carro bomba em Cabul matou 27 pessoas e feriou outras 40. Este ataque foi realizado pelo Taleban.

Caos

O ataque foi realizado poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o reforço a presença militar americana no Afeganistão, contrariando o que tinha dado a entender durante a campanha, quando sinalizou que apoiaria a retirada das tropas americanas do país.

A decisão de Trump foi considerada fundamental pelo governo de Cabul, enquanto que o Taleban prometeu continuar com sua jihad "enquanto houver soldados americanos em nosso território impondo sua guerra".

Trump avaliou que retirar as tropas do país neste momento "criaria um vácuo" que os terroristas da Al-Qaeda e do EI poderiam aproveitar. Neste sentido, Trump autorizou o envio de mais 3,9 mil soldados, que se juntarão aos 8,4 mil que já estão no Afeganistão como parte de uma força internacional que tem, ao todo, 13,5 mil combatentes. / AFP, EFE e REUTERS

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