Ataque suicida a hospital militar afegão deixa 6 mortos

Um ataque suicida contra o maior hospital militar de Cabul deixou pelo menos seis pessoas mortas hoje e mais de 34 feridas, em mais uma demonstração da capacidade dos insurgentes de penetrar em algumas das instalações do governo do Afeganistão de maior segurança. O Taleban reivindicou a autoria do atentado e disse, por meio do Twitter e em sua página na internet, que dois suicidas mataram 51 pessoas - incluindo cinco orientadores médicos no hospital. Um oficial militar dos EUA afirmou não haver indicações de que qualquer membro da coalizão teria sido vítima do atentado.

AE, Agência Estado

21 de maio de 2011 | 15h58

Autoridades afegãs disseram que o suicida teve como alvo jovens estudantes e orientadores médicos militares que almoçavam em uma tenda fora do hospital Mohammad Daud Khan de 400 leitos, localizado a cerca de apenas 800 metros da embaixada norte-americana em Cabul.

O ataque em uma das áreas mais seguras de Cabul é a mais recente de uma série de ataques do Taleban ocorridas este ano na capital do Afeganistão. Somente nos dois últimos meses, pelo menos 17 pessoas, incluindo oito membros do serviço norte-americano, morreram em Cabul.

Cabul vai perdendo a imagem de um relativo oásis de calmaria no Afeganistão, algo que os oficiais norte-americanos vinham utilizando como um símbolo do sucesso da luta contra o Taleban. Os dois grandes ataques mais recentes - contra o Ministério da Defesa e ao aeroporto militar de Cabul - também ocorreram dentro de complexos supostamente bem protegidos.

Com os ataques contra as forças de segurança afegã, o Taleban pretende desestruturar a planejada transição das responsabilidades de segurança para o exército afegão, previsto para este verão, antes da saída das forças estrangeiras no final de 2014.

"Era hora do almoço e estava muito cheio", disse um médico afegão por telefone enquanto buscava por proteção dentro do hospital. "Tenho certeza de que há mais de 40 mortos e feridos. Ficamos trancados em nossos cômodos porque nos foi dito que havia outro suicida em algum lugar". Um médico, que disse ter visto a cena seguinte à explosão, afirmou que o homem-bomba parecia vestir um uniforme militar afegão e botas.

O presidente afegão, Hamid Karzai, condenou o ataque considerando-o "brutal" e mais uma demonstração de que o Taleban não está atendendo o pedido de evitar a morte de civis. "Os inimigos do Afeganistão são muito fracos", disse Karzai em nota. "Estão atacando médicos e pacientes no hospital".

As Nações Unidas juntaram-se a Karzai para denunciar o ataque ao hospital, que, segundo as leis internacionais de guerra são proibidos. A coalizão militar liderada pelos EUA também condenou o ataque. As informações são da Dow Jones.

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