REUTERS/Parwiz
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Ataque à ONG Save The children termina com dois mortos no Afeganistão

Escritório da organização na cidade de Jalalabad, no leste do país, foi alvo de explosão de carro-bomba seguida por ação de homens armados; em site de propaganda jihadista, Estado Islâmico assume autoria de ação contra instituição

O Estado de S.Paulo

24 Janeiro 2018 | 04h08
Atualizado 24 Janeiro 2018 | 09h42

JALALABAD, AFEGANISTÃO - Um ataque contra a sede da ONG britânica Save the Children em Jalalabad, no leste do Afeganistão, que durou mais de três horas nesta quarta-feira, 24, deixou pelo menos 2 mortos e 14 feridos, disse um porta-voz da província.

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"Segundo nossas primeiras informações, os agressores usavam uniformes das forças de segurança", afirmou Attaullah Khogyani, acrescentando que ainda são realizadas "operações de varredura" do local e que mais vítimas ainda podem ser encontradas.

O corpo de um dos agressores foi descoberto no local e outro foi abatido pelas forças de segurança, disse o porta-voz, sem especificar o número de pessoas envolvidas no ataque. Informações iniciais, porem, indicam que pelo menos dois homens teriam participado dessa ação iniciada depois das 9 horas (2h30, horário de Brasília), com a explosão de um carro-bomba na rua da sede da ONG. 

Em mensagem publicada em site usado para propaganda jihadista, o Estado Islâmico (EI) disse que realizou uma "explosão suicida seguida de ataque" no que descreveu como "institutos britânicos e suecos" em Jalalabad.

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Mais cedo, pelo Twitter, o Taleban informou que não era responsável pelo ataque. "Nossos mujahedines não estão envolvidos no ataque de Jalalabad", afirmou o porta-voz taleban Zabiulah Mujahid.

"Ouvi uma enorme explosão. Parecia um carro-bomba. Procuramos abrigo, e vi um homem armado, atirando contra a porta principal para entrar no recinto", contou Mohamad Amin, que conseguiu escapar saltando pela janela e foi hospitalizado com ferimentos na perna.

A Save the Children condenou o ataque através de sua conta no Twitter, na qual a organização dedicada à ajuda à infância se mostrou "devastada" pelas notícias que chegavam de Nangarhar. "Nossa principal preocupação é a segurança dos nossos empregados", frisou a Save the Children.

'Rezem por mim'

Mais de uma hora depois do início do ataque, às 10h20, de dentro do prédio, um funcionário da organização conseguiu falar com um amigo pelo aplicativo WhatsApp. "Estou vivo, rezem por mim. Ouço pelo menos dois invasores no segundo andar. Estão nos procurando", escreveu. "Chamam a polícia", pediu esse funcionário, na mensagem.

Pouco antes, outra pessoa presente no interior das instalações afirmou que os disparos continuavam. "Ouço tiros procedentes do interior do prédio. Pode se tratar de um ataque ao complexo", comentou essa testemunha.

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Esse ataque acontece quatro dias depois de uma ofensiva do Taleban ao Hotel Intercontinental, um hotel de luxo muito procurado por estrangeiros em Cabul. Nesse episódio, mais de 20 pessoas foram mortas, entre elas 14 estrangeiros.

Nos últimos meses, houve "várias ameaças" em Jalalabad, mas não especificamente contra estrangeiros, comentaram fontes ocidentais na cidade.

Capital de Nangarhar, na fronteira com o Paquistão, Jalalabad abriga uma grande quantidade de combatentes taleban e de membros do EI, que converteram vários distritos dessa província em suas bases no Afeganistão.

Ocorrido em 31 de dezembro e cometido com uma moto-bomba em um funeral, o último atentado em Jalalabad deixou 18 mortos. A ONG Save the Children, que ajuda menores que trabalham nas ruas, está presente no Afeganistão desde 1976. / AFP, EFE e REUTERS

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