Ataque suicida deixa 121 mortos em mercado de Bagdá

A explosão de um caminhão-bomba deixou pelo menos 121 mortos e mais de 200 feridos em um movimentado mercado freqüentado por curdos xiitas no centro de Bagdá neste sábado, disseram fontes policiais. Segundo a polícia iraquiana, os explosivos estavam escondidos sob caixas de alimentos posicionadas na caçamba de um veículo estacionado próximo à movimentada feira de Sadriya. A detonação destruiu lojas, barracas e ao menos 13 carros que também estavam estacionados no local. Uma espessa nuvem de fumaça negra pode ser vista sobre a cidade enquanto ambulâncias levavam os feridos para os hospitais mais próximos, que logo ficaram lotados. Testemunhas disseram que os moradores da região participavam do resgate das vítimas.A explosão ocorreu por volta das 16h40 (horário local), um horário em que o mercado estava repleto de consumidores em busca de alimentos para suas refeições noturnas. Esse é o último de uma série de atentados contra alvos comerciais no país árabe, em uma aparente campanha dos insurgentes para maximizar o número de civis mortos nos ataques."Houve uma forte explosão. Um veículo explodiu.", disse um jovem com a cabeça enfaixada e com a cara manchada de sangue. Horas após o ataque ao mercado, morteiros foram lançados em diversas áreas de maioria sunita em Bagdá, matando ao menos duas pessoas e ferindo aproximadamente outras 20, informaram fontes da polícia. Autoridades policiais e médicas informaram que ao menos 121 pessoas morreram e 226 ficaram feridas. Já o Ministério da Saúde iraquiano afirmou que a explosão deixou 105 mortos 331 feridos. O hospital Kindi, principal centro médico de Bagdá, estava lotado e teve de recusar a entrada de novos pacientes e pedir que ambulâncias os levassem a outros hospitais.O major general Jihad al-Jabiri, chefe do departamento de explosivos no Ministério do Interior, disse que o caminhão estava carregando uma tonelada de explosivos e destruiu 10 edifícios no mercado."Isso foi obra de um suicida que entrou no mercado na hora em que ele estava lotado de pessoas", disse o militar. "Ainda há corpos embaixo dos escombros."O ataque foi o mais mortal na capital iraquiana desde o dia 23 de novembro último, quando terroristas suspeitos de integrarem a Al-Qaeda fizeram uma onda de atentados com carros-bomba e morteiros na cidade xiita de Sadr, matando ao menos 215 pessoas.O atentado deste sábado ocorre a poucos dias do início de uma nova estratégia americana para sanar a violência sectária que castiga o país há um ano.Pedido de pazNuma tentativa de acalmar a violência sectária que castiga o Iraque há um ano, um dos mais importantes clérigos xiitas do país quebrou um longo período de silêncio neste sábado e pediu por unidade entre os muçulmanos xiitas e sunitas.Em nota divulgada por seu gabinete, o Grande Aiatolá Ali al-Sistani reconhece que as diferenças entre muçulmanos sunitas e xiitas sempre existiram, mas argumenta que a divisão não deve ser motivo para derramamento de sangue. Esse é o primeiro pronunciamento público do clérigo sobre a crise de segurança desde outubro."Todos sabem da necessidade desesperada por unidade e a renúncia das divisões, evitando o fanatismo sectário e as crescentes disputas", diz a nota.Matéria alterada às 16h54 para acréscimo de informações

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