Ataque suicida deixa 16 mortos em escola primária no Afeganistão

Entre os mortos estão 14 crianças com idades entre 8 e 10 anos

Associated Press, Cabul, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2008 | 00h00

Um ataque suicida próximo a uma escola primária no Afeganistão deixou ontem 16 mortos e 58 feridos na Província de Khost, leste do país. Entre os mortos estão 14 crianças com idades entre 8 e 10 anos, informaram autoridades locais.Segundo o Exército americano, o atentado ocorreu quando um homem-bomba tentou atacar uma reunião de líderes tribais que era realizada dentro de um posto de segurança da região. O suicida se explodiu em um ponto próximo da escola - localizada nas proximidades do complexo militar. Nenhum soldado foi morto ou ficou ferido no ataque. Não foi divulgado se algum dos líderes tribais que participavam do encontro foi atingido pela explosão.Fotos divulgadas do atentado mostram livros ensangüentados jogados no chão ao lado de pequenos pares de sapato. O ataque ocorreu no último dia do ano letivo afegão, quando os estudantes se reúnem para receber certificados acadêmicos."A brutalidade e o desprezo pela vida humana por parte dos terroristas é repugnante. Continuamos a observar homens inocentes, mulheres e crianças serem mortos e mutilados por essa insurgência sem sentido", afirmou o general americano David McKiernan, o principal comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Segundo ele, suspeita-se que o ataque tenha sido perpetrado pela rede de militantes comandada pelo senhor da guerra Siraj Haqqani.VINGANÇA AFEGÃO presidente afegão, Hamid Karzai, condenou o ataque e o qualificou como "antiislâmico". "Aqueles que ordenaram e executaram esse ataque não poderão escapar da vingança dos afegãos e do castigo de Deus", afirmou Karzai em um comunicado. Dan McNorton, porta-voz da ONU na missão da organização no Afeganistão, disse estar "aterrorizado" com o incidente."O ataque nos lembra do verdadeiro impacto que esse conflito tem naqueles que não desempenham papel algum nele", afirmou McNorton.A violência tem aumentado significativamente no Afeganistão nos últimos dois anos. Para intensificar a segurança no país, nos próximos seis meses, o governo dos EUA pretende enviar entre 20 mil e 30 mil soldados adicionais para reforçar os 32 mil membros das forças americanas que já estão na região.

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