Ataque taleban contra consulado dos EUA no Paquistão e ato político mata 48

Ataque taleban contra consulado dos EUA no Paquistão e ato político mata 48

Ameaças. Organização extremista usa caminhão-bomba, explosivos e lança-foguetes contra sede diplomática, mas não consegue destruir prédio; militantes prometem novos atentados contra alvos americanos, que eles consideram como 'inimigos'

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Militantes do braço paquistanês do Taleban atacaram ontem o Consulado dos Estados Unidos em Peshawar em uma das mais duras ações contra instalações americanas no Paquistão em anos. Ao menos seis pessoas morreram, todos paquistanesas, além dos cinco suicidas. Horas antes, outro atentado matou 42 pessoas em Dir.

Os terroristas paquistaneses usaram um caminhão-bomba, explosivos e lança-foguetes no ataque, mas fracassaram na tentativa de conseguir destruir o consulado. A explosão do caminhão chegou a fazer a cidade tremer, com uma coluna de fumaça atingindo dezenas de metros de altura.

Testemunhas acrescentaram que outros dois veículos participaram da operação. O serviço de inteligência do Paquistão afirmou que o atentado foi bem planejado. Foram escutadas três explosões na área, com um intervalo de 15 minutos. Os americanos imediatamente verificaram se havia vítimas e descobriram que dois dos mortos eram seguranças paquistaneses que trabalhavam para os EUA.

Azam Tariq, porta-voz do Taleban, justificou o ataque dizendo que os americanos são inimigos. "Nós atacamos o consulado em Peshawar. Agora, planejamos novos ataques", afirmou.

A organização terrorista não assumiu a autoria do outro ataque de ontem, mas as suspeitas recaem sobre o grupo, já que a ação ocorreu em manifestação de um partido anti-Taleban.

"O ataque contra o consulado) e o atentado em Dir, que matou e feriu muitos outros, refletem o desespero de terroristas com a rejeição que recebem da população ao redor do país", disse, em nota, a Embaixada Americana em Islamabad.

"Medo e discórdia". A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que a "onda de violência provocada por extremistas brutais busca minar a democracia do Paquistão, além de semear medo e discórdia".

"Estamos tomando medidas necessárias para garantir a segurança de nossos funcionários, sejam americanos ou paquistaneses", disse Hillary, que elogiou o trabalho das forças de segurança do Paquistão, que defenderam o consulado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.