Ataque taleban contra ONU em Cabul deixa ao menos 12 mortos

Militantes invadem pensão usada pela organização e lançam foguetes contra hotel; seis funcionários morreram

estadao.com.br,

28 de outubro de 2009 | 07h34

Atiradores com armas automáticas e coletes com explosivos atacaram uma pensão usada por funcionários da ONU no coração da capital afegã na manhã desta quarta-feira, 28, matando 12 pessoas - incluindo seis empregados das Nações Unidas. Segundo a embaixada dos EUA, uma das vítimas é americana. Um porta-voz do Taleban reivindicou responsabilidade pelo atentado e disse que a ação teve como alvo a eleição presidencial no país.

 

 

 

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Horas depois dos ataques em Cabul, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, aterrissou no Paquistão prometendo uma nova página nas relações norte-americanas com o país. A derrota do Taleban e a estabilização do Afeganistão são fundamentais na estratégia regional de Washington para combater a milícia. Três horas antes da sua chegada, um atentado em um mercado deixou mais de 80 mortos e 200 feridos em Peshawar, na região da fronteira com o Afeganistão.

 

Mais tarde, um foguete atingiu o "limite externo" do palácio presidencial, mas não deixou feridos, de acordo com o porta-voz da presidência, Humayun Hamidzada. Outro foguete caiu no terreno do hotel de luxo Serena, o preferido por muitos estrangeiros. O dispositivo não chegou a explodir, mas encheu o lobby do hotel de fumaça, obrigando hóspedes e funcionários a descer para o subsolo.

 

O presidente Hamid Karzai condenou o ataque como um "ato desumano" e ordenou que o exército e a polícia reforcem a segurança em torno de todas as instituições internacionais no país. Um guarda que trabalha próximo ao local do atentado disse que os terroristas vestiam uniformes da polícia.

 

O porta-voz da ONU, Adrian Edwards, disse que seis funcionários da organização foram mortos e outros nove ficaram feridos no ataque, que começou por volta do amanhecer. A nacionalidade dos mortos na equipe da ONU na hospedaria em Cabul não foram esclarecidas. Três afegãos e três militantes também morreram na explosão, seguida de um tiroteio em uma pensão usada pela ONU para a estada de funcionários estrangeiros no centro da capital.

 

Os insurgentes vestiam uniformes policias para entrar na hospedaria, afirmou a polícia. Segundo a BBC, logo após a primeira explosão, a polícia cercou o local e houve intensa troca de tiros entre as forças afegãs e os militantes. Segundo o porta-voz do ministério do Interior Zemarai Bashary, os três militantes foram mortos e a situação no local foi controlada. Cerca de duas horas após o primeiro incidente, foguetes foram lançados contra o hotel Serena, um dos principais da capital afegã e utilizado por diplomatas e jornalistas internacionais. Os hóspedes foram levados para o porão do hotel para proteção, mas não houve registro de mortos ou feridos. No ano passado, um homem bomba detonou os explosivos dentro do Serena.

 

Um porta-voz do Taleban anunciou que o grupo assumiu a autoria do ataque contra a pensão e afirmou que se trata apenas do "primeiro passo" na campanha para prejudicar o segundo turno das eleições presidenciais no país, marcadas para sete de novembro. A ONU tem um papel importante na organização do pleito.

 

Ainda nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve assinar um projeto de lei que autoriza o Exército americano a remunerar militantes do Taleban que renunciem à insurgência no Afeganistão. O programa é similar ao adotado no Iraque para reintegrar rebeldes à sociedade. Dialogar com membros moderados do Taleban é parte da estratégia de Obama para vencer a guerra.

 

Insurgência

 

Os ataques ocorrem um dia depois que oito soldados americanos morreram em dois atentados a bomba no sul do Afeganistão, transformando outubro no mês mais letal para as forças dos EUA desde a invasão ao país, em 2001. Com as baixas, o número de soldados americanos mortos em outubro chega a 55. Até então, o mês mais violento era agosto, quando 51 militares foram mortos em meio a uma onda de ataques do Taleban durante o primeiro turno das eleições presidenciais afegãs. Setembro e outubro também foram os meses mais violentos para as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na região.

 

Os EUA já enfrentavam uma semana especialmente difícil: na segunda-feira, duas quedas de helicópteros mataram 14 americanos. No primeiro episódio, a aeronave caiu quando voltava de uma operação no oeste do Afeganistão. Dez soldados e 3 funcionário da agência americana (DEA) antidrogas morreram. Em outro acidente, dois helicópteros se chocaram no ar, no sudoeste do país, matando outros quatro militares. O Exército americano insiste que nenhuma das quedas foi provocada pelo inimigo. No entanto, líderes do Taleban informaram que o grupo derrubou um helicóptero.

 

Segundo o jornal New York Times assessores do presidente dos EUA, Barack Obama, estão estudando uma estratégia para o Afeganistão na qual os esforços se concentrariam na proteção das dez maiores cidades do país. Funcionários próximos a Obama, citados pelo jornal, disseram que a discussão na Casa Branca já não é se os EUA devem ou não enviar mais tropas, mas quantos homens mais serão necessários para garantir a segurança dessas partes estratégicas do país.

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