Ataque tende a piorar a já instável situação libanesa

Cenário: Gustavo Chacra

É CORRESPONDENTE EM NOVA YORK , O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h02

O Líbano ainda não deve mergulhar em uma guerra civil por enquanto, embora certamente o cenário já instável desde o início do conflito na Síria tenda a se deteriorar.

A avaliação é de diplomatas e especialistas em política libanesa consultados pelo Estado ontem, pouco depois do atentado que matou oito pessoas, incluindo o general Wissam al-Hassan, e deixou dezenas de feridos em Beirute.

"Este evento certamente aprofundará a polarização e a tensão no Líbano. Mas seria um pouco extremo falar em guerra civil, a não ser que exista uma decisão regional nesta direção", afirmou ao Estado o analista político libanês Jamil Mouawad.

Segundo um diplomata ocidental, "o consenso entre as principais forças internas e externas é de que o Líbano não pode explodir".

Existem duas principais facções políticas libanesas que estão em conflito praticamente desde 2005. A governista, denominada 8 de Março, engloba grupos xiitas como o Hezbollah e a Amal, além dos cristãos seguidores do ex-general Michel Aun e sunitas ligados ao regime de Bashar Assad. Os principais atores externos que influenciam este grupo são o Irã e a Síria.

A oposição é majoritariamente sunita, liderada por Saad Hariri, hoje em Paris, ao lado de seguidores do líder cristão Samir Geagea e dos drusos do senhor feudal do Shouf, Walid Jumblat. Os maiores aliados são a Arábia Saudita e os Estados Unidos.

Logo depois do ataque, porém, os principais líderes da oposição já acusavam abertamente o regime de Damasco e seus aliados de estarem por trás do atentado.

Recentemente, o político cristão libanês pró-Síria Michel Samaha foi preso justamente por Wissam al-Hasan por conspirar para desestabilizar o Líbano.

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