Omar Sobhani/REUTERS
Omar Sobhani/REUTERS

Ataque terrorista deixa 24 mortos no Afeganistão; maioria das vítimas prestava vestibular

Atentado destruiu edifícios, danificou um hospital e feriu 110 pessoas, entre elas 16 crianças

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2021 | 10h37

CABUL - Um atentado terrorista deixou 24 mortos e 110 feridos, incluindo 16 crianças, no leste do Afeganistão nesta sexta-feira, 30, informaram autoridades locais. O ataque foi executado com um veículo carregado de explosivos e destruiu vários edifícios, danificando também um hospital.

"Recuperamos 24 corpos e 110 feridos, todos civis", disse Didar Lawang, porta-voz da administração da província de Logar. O ataque aconteceu em Pul-e-Alam, na capital da província.

A maioria dos mortos na explosão, explicou o porta-voz, são estudantes do distrito de Azra que vieram à capital para fazer um vestibular. Além disso, entre os feridos há pelo menos 16 crianças e onze médicos do hospital atingido.

"Os caixões com os mortos foram enviados para suas casas no distrito de Azra hoje", disse Lawang, acrescentando que vários dos gravemente feridos foram transferidos para Cabul para tratamento.

Este é o pior ataque com carro-bomba em meses no Afeganistão, embora o país tenha visto um aumento nos assassinatos seletivos desde que os Estados Unidos e o Taleban chegaram a um acordo histórico no Catar em fevereiro do ano passado.

No momento, nenhum grupo insurgente assumiu a responsabilidade pelo ataque, embora o governo afegão acuse o Taleban de estar por trás do ataque.

O atentado acontece na mesma semana em que os Estados Unidos iniciaram a retirada oficial de suas tropas do Afeganistão, processo que se encerrará no vigésimo aniversário do atentado de 11 de setembro, um atraso de cinco meses em relação à data inicialmente acordada em Doha com o Taleban, 1º de maio.

O principal porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, referiu-se ao atraso no Twitter hoje, alertando que "desde que a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão dentro do prazo acordado de 1º de maio passou, esta violação inicialmente abriu o caminho para que os mujahidin (do Emirado Islâmico do Afeganistão, como o Taleban se autodenomina) tomem todas as contra-ações que julgarem apropriadas contra as forças de ocupação".

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou há duas semanas a decisão de retirar seus quase 3.500 soldados do Afeganistão, enquanto a comunidade internacional continua seus esforços para relançar as paralisadas negociações de paz intra-afegãs que começaram em setembro para encerrar duas décadas de conflito. /EFE

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