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Ataques à imprensa fazem México parecer-se com Colômbia de 1990

Ações contra repórteres e fotógrafos são comparadas ao período mais difícil da mídia colombiana

Talita Eredia, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

Um estudo do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) apontou que o número de jornalistas mortos no México na última década já é semelhante ao registrado na Colômbia no fim da década de 1990 até 2002, período em que os cartéis se infiltraram nas instituições do Estado.

A pesquisa também mostra a proximidade nos índices de impunidade. Enquanto Bogotá aparece hoje na sexta posição (0,292 a cada 1 milhão de habitantes), os mexicanos estão na nona posição (0,085). Mais de 90 casos envolvendo mortes de jornalistas não foram esclarecidos.

Desde 1992, quando o CPJ começou a compilar as estatísticas de mortes entre jornalistas, 73 profissionais colombianos foram mortos, 30 sem motivação ligada ao narcotráfico confirmada. O número de vítimas no México chegou a 54 no mesmo período - 29 sem que a participação dos cartéis estivesse comprovada. Carlos Lauría, coordenador do programa das Américas do CPJ, explicou ao Estado que a investigação de assassinatos de jornalistas compete às polícias estaduais, amplamente corrompidas pelo narcotráfico.

O CPJ apontou ainda que 77% dos profissionais de imprensa mortos no México trabalhavam na cobertura de crimes e 36% de casos de corrupção. Desde 2006, quando o presidente mexicano, Felipe Calderón, declarou guerra contra o tráfico, sete jornalistas estão desaparecidos. Um deles é María Esther Aguilar Cansimbe, de El Diario de Zamora, que sumiu em novembro do ano passado enquanto escrevia sobre a ligação de políticos com grupos criminosos e a prisão de um dos líderes do cartel La Família.

O presidente mexicano deve se reunir hoje com o Comitê e a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) para discutir a violência contra os veículos de imprensa e a deterioração da liberdade de expressão no país com as ameaças dos cartéis e a autocensura por segurança.

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