Hani Mohammed/AP
Hani Mohammed/AP

Ataques a mesquitas xiitas no Iêmen deixam mais de 100 mortos

Estado Islâmico reivindicou autoria dos ataques a bomba durante orações de sexta-feira

O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 10h29


(Atualizada às 16h45) SANAA - Ataques a duas mesquitas em Sanaa, capital do Iêmen, nesta sexta-feira, 20, deixaram ao menos 126 mortos e 260 feridos. O grupo Estado Islâmico reivindicou a autoria dos atentados, por meio de um comunicado publicado na internet e assinado por um braço do EI no Iêmen.

Os atentados ocorreram durante o período de orações da tarde, disseram fontes médicas, e um dia depois de intensos combates na cidade de Áden, no sul do país, entre tropas leais ao ex-presidente e ao atual, que deixaram 13 mortos e levaram ao fechamento do aeroporto internacional.

As mesquitas atacadas em Sanaa são conhecidas por serem majoritariamente usadas pelo grupo muçulmano xiita Houthi, que controla grande parte do norte do Iêmen.

O primeiro ataque foi cometido por dois suicidas, que detonaram cintos explosivos no interior e nos arredores da mesquita xiita de Al Hashoosh, localizada no bairro de Al Yarraf, norte da capital iemenita.

A primeira das explosões aconteceu em um posto de controle dos houthis em uma rua que leva ao templo, o que causou a morte de cinco pessoas e deixou várias feridas, acrescentou a fonte. A segunda foi registrada no interior da mesquita durante a oração do meio-dia, deixando dezenas de mortos e feridos.

Um dos sobreviventes do ataque no interior da mesquita contou que a explosão da bomba "foi forte" e o local foi invadido por "uma fumaça negra por vários minutos, o que impedia a visibilidade".

O intervalo entre as explosões fora e dentro da mesquita foi de meia hora. A mesquita de Al Hashoosh é frequentada por dirigentes xiitas rebelde dos houthis, e o imã do templo, Taha Ahmed al Mutauakil, é membro da executiva do grupo. O líder religioso foi ferido no atentado e internado em um hospital.

A rede de televisão xiita exibiu imagens do interior da mesquita, onde voluntários usaram cobertores para retirar as vítimas. Dentre os mortos havia uma criança.

Fontes do grupo Houthi informaram que pelo menos 30 pessoas morreram em outro duplo atentado efetuado contra a mesquita Al Badr, no centro de Sanaa. O imã do templo, o líder religioso Mortada al Muhaduari, morreu no ataque.

Hospitais de Sanaa pedem por doadores de sangue para ajudar no tratamento de um grande número de feridos.

A ascensão ao poder dos houthis, apoiado pelo Irã, desde setembro do ano passado, aumentou as divisões da complexa rede política e de alianças religiosas do Iêmen e deixou o país excluído do mundo exterior.

O conflito político se agravou desde que o presidente Abdo Rabu Mansur Hadi se retratou no mês passado, em Áden, de sua anterior renúncia, ao anunciar que continuaria sendo presidente legítimo do país, em oposição ao que foi determinado pelos houthis. /AP, EFE e REUTERS

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