Ataques a missões diplomáticas são frequentes

Na ausência de representações de Israel e EUA, prédio da embaixada britânica é um dos alvos mais comuns

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h01

Embaixadas estrangeiras em Teerã são alvos frequentes da fúria do governo iraniano. O prédio da missão britânica, especialmente, guarda lembranças desagradáveis. Para muitos, ali foi arquitetada a Operação Ajax, com o aval do premiê Winston Churchill, que derrubou o primeiro-ministro do Irã, Mohamed Mossadegh, em 1953.

O episódio mais conhecido contra uma legação estrangeira em Teerã também foi protagonizado por estudantes. Em novembro de 1979, após a Revolução Islâmica, cerca de 400 jovens invadiram a embaixada dos EUA e mantiveram 52 americanos reféns durante 444 dias. A crise fez o presidente Jimmy Carter organizar uma desastrosa missão militar de resgate, a Operação Garra de Águia, que terminou com a morte de oito membros da Força Delta - a crise custou a reeleição de Carter e terminou com a libertação dos reféns no dia da posse de Ronald Reagan.

O embaixada britânica voltou a fazer as vezes de alvo em 1989. Após a publicação do livro Os Versos Satânicos, uma fatwa (decreto religioso) foi emitida no Irã, ordenando a morte de Salman Rushdie, escritor indiano radicado na Grã-Bretanha. O prédio da missão britânica, que havia sido reaberta no ano anterior, teve de ser fechado - ele voltou a funcionar em 1990 e as relações diplomáticas com Londres foram restabelecidas só em 1998.

Em dezembro de 1991, após a prisão de um terrorista iraniano em Berna, o governo iraniano impediu que todo o staff diplomático da Suíça deixasse o país. Por segurança, a embaixada suíça foi fechada por uma semana.

Novos problemas ocorreram em 2006, após a publicação de caricaturas do Profeta Maomé no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Manifestantes queimaram a bandeira dinamarquesa e lançaram coquetéis molotov contra o prédio da embaixada da Dinamarca. No dia seguinte, após o jornal Kleine Zeitung, da Áustria, também publicar as charges, a embaixada austríaca foi apedrejada.

No entanto, na ausência de representações de EUA e Israel no país, o alvo preferencial sempre foi o prédio da missão britânica. Em 2009, forças de segurança detiveram nove funcionários da Embaixada da Grã-Bretanha em Teerã - eles tinham sido acusados de incitar os protestos pós-eleitorais de junho daquele ano.

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