Ataques a norte-americanos de origem árabe chegam a 400

Nos primeiro cinco dias depois dos atentados, o Conselho Americano de Relações Islâmicas registrou cerca de 400 ataques contra norte-americanos de origem árabe em todo o país, de xingamentos a agressões físicas.Uma dúzia de mesquitas e centros de estudos islâmicos foram atingidos por balas e bombas caseiras. Já houve pelo menos um par de assassinatos, um deles de um indiano que foi confundido com um árabe, no Texas.O Departamento de Justiça informou no início da semana que o FBI investiga 40 denúncias de crimes de ódio racial e religioso contra cidadãos americanos que professam o islamismo (6,5 milhões) ou de origem árabe (3,5 milhões, 80% dos quais são cristãos).O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, esclareceu nesta terça-feira que o presidente George W. Bush não tinha intenção de ofender nenhum muçulmano quando usou a palavra "cruzada", no domingo, ao falar da guerra contra o terrorismo que declarou em resposta aos ataques feitos por seqüestradores suicidas contra o Pentágono e o World Trade Center, na semana passada.A expressão causou consternação no mundo islâmico, onde ela mantém sua conotação histórica de guerra santa de cristãos contra muçulmanos pela retomada dos lugares sagrados de Jerusalém."O presidente lamenta", disse Fleischer, pois usou a palavra apenas no sentido comum que ela tem hoje na língua inglesa, de uma "causa ampla".O esclarecimento da Casa Branca mostrou a preocupação do governo norte-americano e, em especial, do Departamento de Estado, de impedir que a campanha contra o terrorismo seja definida pelos inimigos dos Estados Unidos como uma guerra contra o Islã.Diplomatas dos EUA têm alertado que a influência política crescente de partidos religiosos em países árabes governados por moderados aliados de Washington torna imperativo que a ofensiva contra o terrorismo não seja apresentada nem vista como um choque entre civilizações, nos termos que o historiador Samuel Huntington previu há dez anos, pois este seria o caminho mais curto para a derrota."A face do terror não é a verdadeira face do Islã", disse Bush, na segunda-feira, durante uma visita que fez à mesquita de Washington.O gesto de Bush, raro entre os ocupantes da Casa Branca, foi parte de um grande esforço da administração para desestimular os fortes sentimentos anti-árabe e anti-muçulmano despertados pelos ataques terroristas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.