Ataques a oito igrejas espalha tensão religiosa na Malásia

Oito igrejas foram atacadas em três dias na Malásia, em meio a uma briga por causa do uso da palavra "Alá" por indivíduos não muçulmanos. Os ataques deram início a uma nova instabilidade política, que está prejudicando a imagem do país como uma nação moderada e estável de maioria muçulmana.

AE-AP, Agencia Estado

10 de janeiro de 2010 | 17h04

Bombas foram jogadas em sete igrejas em todo o país desde sexta-feira e outra foi pintada com tinta preta. Apenas uma igreja, no subúrbio de Kuala Lumpur, teve danos maiores, após incêndios no escritório e no primeiro andar. Nenhuma pessoa se feriu.

Os muçulmanos estão enfurecidos com a decisão da Suprema Corte, em 31 de dezembro, de anular a proibição imposta pelo governo ao uso da palavra "Alá" pelos católicos romanos para referirem-se a seu Deus na edição em língua malásia de seu principal jornal, o Herald. A decisão da justiça também se aplica ao uso da palavra em Bíblias. O governo apelou da decisão judicial.

Com os ataques foi criada uma onda de inquietação entre a minoria cristã e a maioria muçulmana Malay. Cerca de 9% dos 28 milhões de habitantes da Malásia são cristãos, boa parte deles de etnia chinesa ou indiana. Os muçulmanos correspondem a 60% da população. "Os cidadãos da Malásia estão agora vivendo com medo de uma briga racial, depois dos ataques às igrejas e do aumento do tom dos islâmicos ortodoxos no país", disse Charles Santiago, membro oposicionista do Parlamento malásio.

Os ataques são um golpe à unidade racial propagandeada pelo primeiro-ministro Najib Razak, desde que tomou posse, em abril passado, e tornaram-se uma dor de cabeça para ele, que tenta fortalecer a coalizão governista.

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