Ataques a rival não surtem efeito

Campanha negativa de McCain piorou ainda mais sua imagem

John Whitesides, Reuters, Washington, O Estadao de S.Paulo

24 de outubro de 2008 | 00h00

As acusações do republicano John McCain contra o democrata Barack Obama foram muitas e variadas: da amizade com terroristas até o fato de ser um socialista amante de impostos. Obama mostrou, porém, surpreendente propensão a ficar imune aos ataques e as pesquisas de opinião mostram que é a imagem de McCain que tem perdido com a campanha negativa. "Obama tem reagido com muita serenidade e tem parecido mais firme que o rival", disse Andrew Kohut, presidente do instituto de pesquisa Pew. O poder de recuperação de Obama surpreendeu os estrategistas republicanos, que entraram na campanha acreditando que ele era vulnerável ao tipo de ataque que ajudou a derrubar candidatos democratas nas últimas eleições, como John Kerry e Al Gore. O consultor republicano Kevin Madden, que trabalhou para o presidente George W. Bush, em 2004, disse que Obama foi ajudado pela incapacidade de McCain de estabelecer uma linha clara de ataque. Nas últimas eleições, em 2004, Bush passou meses dizendo que Kerry era "politicamente inconstante". "Até que, 40 dias antes da eleição, isso pegou", disse Madden. Em 2000, Gore foi incansavelmente ridicularizado como um elitista em descompasso com o americano médio. McCain, um veterano senador do Arizona, alternou ataques diferentes desde que Obama conquistou a nomeação democrata, em junho, sem nunca se firmar em um único tema. "A campanha de McCain apertou o botão ?reset? com demasiada freqüência", disse Madden. "Obama saiu das primárias com muitas vulnerabilidades, mas transformá-las em defeitos requeria um enfoque consistente, que nunca foi desenvolvido." McCain disse que Obama era uma celebridade, criticou suas posições inconstantes, zombou de seus grandes comícios e de sua retórica estridente. No entanto, as esperanças republicanas de que Obama pudesse ser tachado de inexperiente acabaram com a escolha de Sarah Palin, a desconhecida governadora do Alasca, para ser vice da chapa. Os esforços para retratar Obama como excessivamente liberal ligado a um ativista radical dos anos 60, não conseguiram ganhar força. À medida em que a crise econômica se aprofundava, Obama se comportava com ainda mais firmeza. A reação de McCain à crise financeira foi errática. Inicialmente, ele considerou sólidos os fundamentos da economia. Depois, suspendeu a campanha para trabalhar em um resgate do plano proposto por Bush, mas retomou a disputa antes de o acordo de salvamento ser concluído. Assim, minou seu argumento contra Obama. Nenhum de seus ataques funcionou.

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