Ataques a xiitas matam 60 no Iraque

Dia de terror. Só em Bagdá foram 13 explosões de carros-bomba num período de duas horas; entre os alvos dos atentados estão mesquitas, mercados populares e o escritório de um movimento radical ligado ao clérigo xiita Moqtada Al-Sadr, exilado no Irã

AP, REUTERS E AFP, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2010 | 00h00

Pelos menos 60 pessoas morreram e 118 ficaram feridas em uma série de atentados em diferentes localidades do Iraque ontem. Só em Bagdá foram 13 explosões - a maior parte dirigida contra a comunidade xiita, que está no poder no país desde a invasão americana, em 2003.

Segundo autoridades iraquianas, os ataques foram uma represália à morte de três importantes líderes da organização terrorista Al-Qaeda, de origem sunita, na semana passada, numa operação das forças de segurança do Iraque apoiada pelos EUA.

Os atentados de ontem ocorreram em meio a um vazio de poder por causa da incapacidade de xiitas, sunitas e curdos de chegarem a um acordo para a formação de um novo governo, depois das eleições legislativas de 7 de março.

Houve apenas pequenos intervalos entre a explosão de diversos carros-bomba. De acordo com uma fonte do Ministério do Interior, só no bairro xiita de Sadr City, duas explosões deixaram 39 mortos e 56 feridos. Foram atacados um mercado e um centro do movimento radical ligado ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr.

Exilado no Irã, o clérigo pediu que sua milícia, o Exército de Mehdi, assegure a proteção das mesquitas da região em cooperação com as forças de segurança iraquianas. O pedido foi transmitido aos iraquianos por Hazem al-Araji, chefe do movimento de seguidores de Al-Sadr.

Outros três ataques na capital tiveram como alvo movimentados mercados populares. E mais três atingiram mesquitas xiitas. No bairro de Chalabi, 5 pessoas morreram e 14 ficaram feridas com a explosão de um carro-bomba diante da Mesquita de Abdel Hadi.

Outro carro-bomba explodiu perto da Mesquita de Mohsen al-Hakim, em Al-Amin, no leste de Bagdá, deixando 8 mortos e 23 feridos. As explosões ocorreram logo após o fim da oração de sexta-feira.

Em Khalidiya, a 75 quilômetros de Bagdá, sete pessoas morreram com a explosão de uma bomba em uma zona residencial, onde viviam policiais.

Al-Qaeda. Os atentados não foram reivindicados por nenhum grupo, mas, segundo especialistas, têm a marca da Al-Qaeda. Os líderes da organização mortos na semana passada são o seu chefe político no Iraque, Abu Omar, o chefe militar, Abu Ayub al-Masri, e o responsável pela estratégia para o norte do Iraque, Ahmad al-Obeidi.

Ataques. Os novos atentados, porém, parecem indicar que o grupo ainda tem grande potencial de ataque, apesar de os EUA e de as forças de segurança iraquianas alegarem que os terroristas estão enfraquecidos e sem quadros de liderança.

Depois das eleições, uma facção da Al-Qaeda havia ameaçado começar uma campanha de violência atacando partidos políticos no Iraque.

O último grande atentado em Bagdá ocorreu no dia 6. Na ocasião, 35 civis morreram e 140 ficaram feridos em 6 ataques contra áreas residenciais, que as autoridades também atribuíram à Al-Qaeda.

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