Ataques aéreos de Israel matam nove em Gaza

Ataques israelenses em Gaza mataram nove palestinos e destruíram a sede do governo do Hamas neste sábado. Em Israel, milhares de reservistas foram convocados para uma possível guerra terrestre.

LETICIA PAKULSKI, Agência Estado

17 de novembro de 2012 | 14h44

Depois que militantes palestinos dispararam foguetes contra cidades de Israel na sexta-feira, cerca de 180 ataques aéreos contra Gaza foram realizados durante a noite e madrugada deste sábado, informou a televisão israelense.

Médicos palestinos relataram que 39 habitantes de Gaza foram mortos e 345 ficaram feridos desde que Israel iniciou os ataques aéreos na quarta-feira. Pelo menos quatro militantes estão entre os nove mortos dos últimos bombardeios.

Segundo o exército israelense, desde o início da operação, militantes dispararam mais de 600 mísseis ao longo da fronteira, dos quais 404 atingiram o solo israelense e 230 foram interceptados pelo sistema de defesa conhecido como "Domo de Ferro". No mesmo período, três israelenses foram mortos e 18 ficaram feridos, incluindo 10 soldados. O exército afirma ainda já ter realizado mais de 830 ataques aéreos em sua operação "Pilar da Defesa".

Neste sábado, quatro soldados israelenses e cinco civis ficaram feridos em diferentes ataques com foguetes contra o sul do país, que atingiram um prédio e um carro, afirmaram a polícia e o exército de Israel.

As forças militares israelenses disseram ainda ter isolado todas as estradas principais ao redor de Gaza e declarado zona militar fechada, no mais recente sinal de que o país estaria prestes a lançar a primeira ofensiva terrestre em território palestino desde a realizada entre dezembro de 2008 a janeiro de 2009.

Durante a noite, a força aérea israelense atingiu a Cidade de Gaza, tendo como alvo a sede do governo do primeiro-ministro Ismail Haniya e outros edifícios governamentais, incluindo o ministério do Interior e o complexo da polícia, bem como instalações de treinamento de militantes e "dezenas de pontos de terrorismo", conforme um comunicado do exército de Israel.

O governo islâmico de Haniya afirmou que quatro ataques "destruíram completamente" sua sede e que casas vizinhas foram danificadas.

O ministro das Relações Exteriores da Tunísia, Rafik Abdessalem, fez uma visita de solidariedade a Gaza um dia depois de uma viagem semelhante por parte do primeiro-ministro egípcio, Hisham Qandil. Em sua chegada na Cidade de Gaza, Abdessalem disse que o mundo deve parar a "agressão flagrante" de Israel. Ele visitou as ruínas do edifício do gabinete, onde um dia antes Haniya havia recebido Qandil. O ministro tunisiano apelou à Liga Árabe, que realiza discussões no Cairo, que aja para conter a violência.

Enquanto isso, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, desembarcou no Cairo para conversar com o presidente egípcio Mohamed Morsi. Os EUA pediram a ambos os líderes que pressionem o Hamas a parar de disparar foguetes contra Israel. O presidente americano, Barack Obama, também reiterou o apoio do país ao direito de Israel se defender em um telefonema ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, sobre o conflito em Gaza.

No fim da noite de sexta-feira, ministros israelenses aprovaram a convocação de até 75 mil reservistas, horas depois que a ala militar do Hamas assumiu ter disparado um foguete em Jerusalém e outro na costa de Tel Aviv. Nenhum teria causado mortes ou danos, mas desencadearam sirenes de aviso e levaram os moradores dos dois principais centros populacionais de Israel a se refugiar em abrigos. As informações são da Dow Jones.

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