Ataques aéreos mataram 4.300 sírios desde julho de 2012

O grupo de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou o governo sírio, nesta quinta-feira, de cometer crimes de guerra ao realizar ataques aéreos indiscriminados e às vezes deliberados contra civis, matando pelo menos 4.300 civis desde julho de 2013. O HRW disse que jatos de combate sírios tiveram como alvo padarias, filas de pessoas que esperavam para comprar pão e hospitais no norte do país.

Agência Estado

11 de abril de 2013 | 11h01

O relatório foi divulgado no momento em que forças do governo lançavam uma contraofensiva na província de Deraa, sul do país, onde rebeldes há semanas fazem progressos. A região é considerada estratégica, porque fica perto da capital, Damasco.

Nos últimos meses, partes do norte da Síria, especialmente áreas ao longo da fronteira com a Turquia, caíram no controle dos rebeldes, incluindo vários bairros de Alepo, a maior cidade do país.

"O objetivo dos ataques aéreos parece ser aterrorizar civis, particularmente em áreas controladas pela oposição, onde, caso contrário, as pessoas estariam razoavelmente seguras dos efeitos do conflito", disse Ole Solvang, pesquisador da organização, sediada em Nova York.

Estes ataques são "sérias violações da lei humanitária internacional" e as pessoas que cometem tais atos "são responsáveis por crimes de guerra", disse o grupo.

Solvang liderou o grupo que inspecionou 52 locais no norte da Síria e documentou o que considerou terem sido 59 ataques ilegais realizados pela Força Aérea Síria. Pelo menos 152 pessoas morreram nesses ataques, segundo relatório divulgado pelo HRW nesta quinta-feira.

O grupo inspecionou apenas locais controlados pelos rebeldes porque o governo sírio impede o acesso a partes do país que estão sob seu controle.

Baseado em inspeções e em mais de 140 entrevistas com testemunhas, o HRW disse que os aviões "deliberadamente tiveram com alvo quatro padarias (no Norte) onde havia civis esperando para comprar pão, num total de oito vezes".

Repetidos ataques aéreos contra dois hospitais em áreas que o grupo visitou, no Norte, que estão sob controle da oposição, "sugerem fortemente que o governo também deliberadamente atacou tais instalações", disse o HRW. Quando a organização visitou os dois hospitais, eles haviam sido atacados sete vezes.

Na maioria dos ataques, os aviões sírios pareciam não ter alvos militares à vista, como partidários da oposição armada ou sedes dos rebeldes, ao despejarem seus explosivos contra áreas civis, afirmou a organização. As informações são da Associated Press.

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