Ataques atingiram diretamente mercado financeiro

O mercado financeiro foi atingido de forma mais direta pelos ataques terroristas nos EUA, ocorridos há um mês, avaliam analistas do setor ouvidos pela Agência Estado. Eles ainda não conseguem avaliar ainda com exatidão o tamanho do estrago sobre a economia brasileira, mas o mercado financeiro reage em tempo real aos acontecimentos, ressalta o economista-chefe do BicBanco, Luiz Rabi. O risco País que iniciou setembro em 930 pontos, imediatamente ao ataque contra as torres gêmeas do WTC e a sede do Pentágono, subiu para 1.320 pontos. O ataque reforçou o prognóstico de recessão não só nos EUA, mas no âmbito global, afirma o economista do BicBanco. ?Isso sinaliza para uma maior dificuldade de equilíbrio do déficit do balanço de pagamentos, uma vez que o fluxo de recursos para o País poderá ser reduzido. Outro termômetro instantâneo de reação aos ataques nos EUA foi a cotação do dólar, que subiu 2,03% no dia do ataque para R$ 2,66 e atingiu no dia 21 de setembro o patamar de R$ 2,85, forçando o Banco Central a ampliar para seis, num único dia, os leilões de papéis cambiais. ?Com isso, o BC conseguiu evitar um descolamento maior da taxa de câmbio, mas não teve êxito na reversão da tendência de alta do dólar, o que coloca em estado de alerta as taxas de inflação?, avalia o economista. O Ibovespa, índice da carteira teórica de ações da bolsa paulista, teve sua trajetória de queda acentuada depois dos ataques aos EUA. Começou o mês em 12.800 pontos, operava em 11.900 pontos no dia 10 de setembro e despencou para 10.400 pontos após os atos terroristas. Ontem, o Ibovespa fechou em 10.462 pontos. Na opinião de Luiz Rabi, os impactos mais claros sobre a economia deverão ser sentidos mais adiante por meio de um aprofundamento maior da recessão. Com isso, se verá uma acentuação na melhora do desempenho da balança comercial, mas pelo lado da redução do volume de importações. O Copom, na sua próxima reunião, nos dias 16 e 17, poderá, segundo Luiz Rabi, apertar ainda mais o crédito por meio de mais um arrocho no compulsório. No mês passado o Copom manteve estável a taxa básica de juros em 19% ao ano, mas mexeu na forma de cálculo e recolhimento do compulsório dos bancos sobre depósito à vista ? tirando dos bancos a capacidade comprar dólares ? e elevou de zero para 10% o recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo ? encarecendo o crédito para desestimular o consumo e o espaço para o pass-through do dólar para os preços e conseqüente alta da inflação. ?Agora, dependendo dos resultados das eleições na Argentina, eu acho que o Banco Central poderá dosar as duas coisas, juros mais altos com aperto creditício?, avalia o economista-chefe do Bicbanco. O preço do barril de petróleo que sofreu um processo de overshooting logo após os ataques, atingindo US$ 31,00, já recuou, com a cesta de referência da OPEP girando ao redor de US$ 19,00 e o petróleo tipo brent em Londres em US$ 22,00. A alta se deu porque inicialmente se pensava na possibilidade de algum país árabe produtor de petróleo estar ligado ao atentado contra os EUA, afirma Rabi. Passado o impacto dos primeiros momentos, com a OPEP vindo a público e garantindo a manutenção da produção, as empresas aéreas admitindo que passariam a consumir menos querosene de avião e os prenúncios de aprofundamento da desaceleração da economia mundial, o preço do barril de petróleo voltou o patamar de US$ 22,00. A Economia Um Mês Depois dos Atentados nos EUA - Índice

Agencia Estado,

11 Outubro 2001 | 10h09

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