AFP PHOTO / ADEK BERRY
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EI reivindica autoria de ataque na região turística da capital indonésia

Ação dos extremistas em bairro que abriga escritórios da ONU e hotéis de luxo termina com 7 mortos; país tem a maior população muçulmana do mundo; atentado desperta onda de condenação e Itamaraty pede a brasileiros que evitem aglomerações

O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 05h30

(Atualizada às 20h41) JACARTA - Com armas pesadas e explosivos, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) atacou nesta quinta-feira, 14, Jacarta, a capital da nação com a maior população islâmica do mundo, deixando ao menos sete mortos. O primeiro atentado terrorista do grupo contra a Indonésia durou ao menos três horas e começou com um cerco perto de uma filial do café Starbucks. Dos sete mortos, cinco eram terroristas. 

O EI reivindicou a autoria do atentado em um comunicado divulgado em fóruns jihadistas. No texto, o grupo afirma que “soldados do califado” realizaram o ataque. Além disso, os jihadistas ameaçaram a “população cruzada na Indonésia”, afirmando que “depois de hoje, não haverá segurança na casa dos muçulmanos”. O EI considera “infiéis” até mesmo muçulmanos, quando se recusam a defender a aplicação da lei islâmica mais radical.

O atentado ocorreu no bairro de Jalan Thamrin, uma região do centro da capital indonésia onde ficam vários hotéis e restaurantes frequentados por estrangeiros e os escritórios da ONU, nas cercanias do palácio presidencial.

A ação teve início com uma explosão na frente de uma cafeteria da rede Starbucks, próxima a um posto da polícia, dando início a um intenso tiroteio seguido por outra explosão, que atingiu as janelas do café. 

A troca de tiros entre terroristas e policiais continuou em um cinema que fica no centro comercial Sarinah, onde alguns terroristas se entrincheiraram até serem mortos pela polícia mais tarde.

Entre os terroristas, três morreram no tiroteio, e os outros dois se suicidaram ao detonar as bombas que transportavam na moto com a qual atacaram o posto da polícia, disse o chefe das forças de segurança, Tito Karnavian. Segundo ele, dois civis morreram durante o confronto – um indonésio e um canadense –, o que foi confirmado posteriormente pelo governo indonésio, em comunicado. Além disso, 20 pessoas ficaram feridas, incluindo 5 policiais. 

A Indonésia foi atingida por ataques de militantes islâmicos antes, mas um ataque coordenado por um grupo de homens-bomba não tem precedentes, e relembra cercos realizados em Mumbai, há sete anos, e em Paris, em novembro. 

O maior ataque militante anterior em Jacarta foi em julho de 2009, quando bombas foram detonadas nos hotéis JW Marriott e Ritz Carlton. 

Reações. O ataque em Jacarta desencadeou uma reação internacional. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro expressou “profunda consternação com o ataque”. O Itamaraty informou que estava acompanhando “de perto” a situação e recomendou a todos os membros da comunidade brasileira que evitassem “locais com grande afluência de público” e buscassem “restringir seus deslocamentos por vias públicas”. 

“Ao transmitir aos familiares das vítimas e ao povo e governo indonésios sua solidariedade, o Brasil condena os ataques nos mais fortes termos e reitera seu firme repúdio a qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação”, afirmou a nota. 

Em Washington, o Departamento de Estado informou que os EUA condenavam o atentado “com contundência”. “Apoiamos firmemente o povo indonésio contra o terrorismo e as ideologias extremistas que encorajam a violência terrorista”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, em comunicado.

Já a alta representante da União Europeia (UE) para Política Externa, Federica Mogherini, garantiu ontem que as ações dos do EI demonstram que a ameaça do terrorismo é “global” e merece uma resposta também internacional. 

“O ataque de hoje (ontem) no coração de Jacarta é uma trágica recordação que a ameaça do terrorismo é global e deve ser abordada globalmente”, afirmou. / REUTERS e EFE 

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