Ataques com carros-bomba matam 47 em Argel

Pelo menos 47 pessoas morreram naterça-feira após a explosão de dois carros-bomba em bairrossofisticados de Argel, segundo uma fonte de segurança. Foi oataque mais sangrento na capital argelina desde a década de1990. Ninguém assumiu a autoria, mas analistas desconfiam da AlQaeda regional, que neste ano reivindicou atentados semelhantesem Argel e a leste da capital. Um dos ataques de terça-feira ocorreu perto da CorteConstitucional, no bairro de Ben Aknoun. O outro aconteceuperto de escritórios da Organização das Nações Unidas (ONU) ede uma delegacia em Hydra -- várias empresas ocidentais têmescritórios nesses dois bairros. Em Ben Aknoun, as pessoas corriam em pânico pelas ruas,gritando em meio ao ruído das sirenes. Um corpo permanecia no chão, coberto por um manto branco.Dois ônibus estavam em chamas, havia destroços de carrosespalhados pela calçada, e a polícia tentava conter oscuriosos. "Quero ligar para a minha família, mas é impossível. A redeestá congestionada. Sei que estão muito preocupados, porquetrabalho perto", disse a funcionária de uma perfumaria. A agência estatal de notícias APS disse que várias dasvítimas em Ben Aknoun eram estudantes em um ônibus escolar. Uma fonte de segurança disse que o número de mortos podechegar a 60. A Argélia, importante fonte de gás para a Europa, ainda serecupera de mais de uma década de violência, a partir de 1992,quando o governo, com apoio militar, cancelou uma eleição emque radicais islâmicos eram favoritos. Até 20 mil pessoasmorreram na violência que se seguiu. A situação se acalmou desde então, mas uma onda de ataquesneste ano, inclusive o de 11 de abril, que matou 33 pessoas emArgel, despertou temores de que o país possa voltar àsturbulências da década passada. O aumento do desemprego e da pobreza também cria um cenáriode instabilidade, segundo diplomatas. Entre os adultos commenos de 30 anos, cerca de 70 por cento estão desempregados.

LAMINE CHIKHI, REUTERS

11 de dezembro de 2007 | 10h46

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