Ataques com drones vão continuar, avisa Panetta

Os ataques com aviões não tripulados (drones) no Paquistão são uma questão de "soberania americana" e continuarão, afirmou ontem o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, durante visita à Índia. A declaração foi uma resposta às duras críticas de Islamabad à ofensiva dos aparelhos americanos em território paquistanês. O número 2 da Al-Qaeda, Abu Yahya al-Libi, foi morto em um desses ataques, na segunda-feira.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 03h02

Panetta argumentou que os EUA estão "em guerra" na área tribal administrada do Paquistão (zona conhecida como "Fata", na sigla em inglês). Na fronteira com o Afeganistão, a região é um dos principais refúgios de combatentes do Taleban, da Al-Qaeda e de outros grupos insurgentes. A presença dos militantes tornou a Fata um dos principais alvos dos drones da CIA, ao lado do Iêmen.

"Isso tem a ver com nossa soberania também, pois eles (os militantes) nos atacaram em 11 de setembro (de 2001) e mataram quase 3 mil de nossos cidadãos. Nós deixamos claro que continuaremos a nos defender", afirmou o secretário de Defesa. "Nós estamos lutando uma guerra na Fata. Nós estamos lutando uma guerra contra o terrorismo."

Poder atômico. As declarações de Panetta foram feitas durante visita a Nova Délhi, onde sua agenda estava voltada para o reforço da parceria estratégica na área de Defesa entre os EUA e a Índia. Armados com bombas atômicas, o Paquistão e a Índia vivem em permanente tensão militar.

Panetta teve o cuidado de não deixar a impressão de que os EUA estão em guerra contra o governo do Paquistão. Mas acentuou que a relação entre Washington e Islamabad é "complicada, algumas vezes frustrante, frequentemente difícil e, ao mesmo tempo, necessária".

Autoridades americanas e paquistanesas devem se reunir nos próximos dias para tratar das missões dos drones. Os dois países estão envolvidos ainda em negociações sobre a reabertura das rotas de suprimento para as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão.

As mesmas estradas serão necessárias para a retirada dos militares e de equipamentos dos EUA daquele país em 2014. As rotas foram fechadas por Islamabad em novembro, depois de um ataque aéreo americano que matou 24 soldados paquistaneses.

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