Ataques contra civis no Chade mataram de 200 a 400, diz ONU

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirmou nesta terça-feira, 10, que recentes ataques contra povoados do sudeste do Chade deixaram de 200 a 400 mortos, além de pelo menos 9 mil novos deslocados, e descreveu a situação nos lugares atingidos como "apocalíptica".Os ataques contra civis ocorreram em 31 de março. Um cálculo inicial informou sobre 65 mortos, mas "uma missão composta por membros de diversas agências humanitárias da ONU encontrou uma situação muito pior do que temiam ao chegar aos povoados afetados", disse o porta-voz do Acnur, Ron Redmond.A missão descobriu que "muitos mortos foram enterrados no local mesmo, geralmente em valas comuns, de modo que nunca saberemos o número exato", disse o porta-voz, acrescentando que idosos e crianças sobreviventes morreram nos dias seguintes "por causa da desidratação e do cansaço" durante a fuga."Uma semana depois, foram encontrados ainda corpos em decomposição. Centenas de casas foram completamente queimadas e um fedor saía dos restos abandonados de animais queimados ou mortos a tiros ou de sede, porque seus proprietários não tiveram tempo de soltá-los", descreveu Redmond.Os povoados atacados - Tiero e Marena, que tinham população total conjunta de 8.000 pessoas - ficam 45 quilômetros a leste de Koukou-Angarana, onde o Acnur tem um escritório.Após indicar que o número de 80 feridos permanece estável, o órgão humanitário afirmou que muitos deles foram recolhidos ao longo das estradas pelo pessoal do Comitê da Cruz Vermelha Internacional (CICV) e levados a um centro médico para refugiados.Além disso, o Acnur afirmou que, em conseqüência da grave violência, pelo menos 9 mil civis procedentes de 31 povoados da região chegaram nos últimos dias ao acampamento de refugiados de Habile, somando-se a outras 9 mil pessoas que já vivem no local após terem fugido de ataques anteriores.No entanto, "o número de novos deslocado é confuso", porque "diariamente são apresentadas às agências de socorro nomes de mais pessoas", disse Redmond.Na segunda-feira passada, o Sudão acusou tropas do vizinho Chade de ter entrado em seu território e ter matado pelo menos 17 militares e ferido outros 40.

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