Ataques contra fiéis matam ao menos 58 em feriado xiita

Pelo menos 58 peregrinos xiitas morreram nesta terça-feira no Iraque vítimas de homens-bomba ou mortos a tiros. Os atentados ocorreram durante a celebração religiosa da Ashura, dia mais importante do calendário xiita.O ataque que ocasionou mais baixas foi o de um suícida que se explodiu em meio a uma legião de fiéis que entravam em uma mesquita em Mandali, próxima a fronteira do Irã. Vinte e seis pessoas morreram e 47 ficaram feridas nesse ataque, de acordo com a polícia.A Ashura é uma celebração fúnebre anual que dura uma semana. Os ataques ocorrem no último dia do evento, em meio a fortes tensões entre a maioria xiita e a outrora dominante minoria sunita iraquiana. Temendo possíveis ataques de insurgentes, as autoridades iraquianas deslocaram 11 mil policiais e soldados para a cidade sagrada xiita de Kerbala, foco da celebração que marca a morte em combate do neto do profeta Maomé, Imã Hussein, há 1.300 anos. Atentados suicidas e outros ataques contra participantes da Ashura em Kerbala e Bagdá mataram 171 pessoas em março de 2004. Desta vez, as bombas pareciam ser destinadas a alvos menos protegidos, em outras cidades iraquianas. A primeira explosão matou 13 pessoas, sendo três mulheres e um adolescente, e deixou 39 feridos. Esse ataque ocorreu à beira de uma estrada por onde passavam peregrinos xiitas, na localidade de Khanaqin, a nordeste de Bagdá, segundo a polícia. Pouco depois, um homem-bomba agiu entre os fiéis diante de uma mesquita xiita na cidade de Balad Ruz, cerca de 80 quilômetros ao sul de Khanaqin, matando 23 pessoas e ferindo 57, também segundo a polícia. Segundo a Reuters, atiradores também atacaram peregrinos no bairro de Bayaa, matando quatro pessoas e ferindo outras nove, de acordo com as autoridades. A morte do Imã Hussein, neto de Maomé, durante uma batalha no ano 680 provocou o cisma entre xiitas e sunitas muçulmanos, uma divisão que se mostra particularmente dolorosa no Iraque hoje em dia. Dezenas de milhares de pessoas já morreram no conflito sectário que se agravou desde fevereiro de 2006, quando um atentado destruiu uma importante mesquita xiita na cidade de Samarra. Atualizada às 18:42

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